A esperança na misericórdia de Deus

14/12/2015 21:29

Papa: A esperança na misericórdia de Deus abre os horizontes

A esperança na misericórdia de Deus abre os horizontes e nos faz livres, enquanto a rigidez clerical fecha corações e faz tanto mal: esta é uma das passagens da homilia do Papa na manhã desta segunda-feira (14/12/15), na Casa Santa Marta.

A primeira Leitura do dia, extraída do Livro dos Números, fala de Balaão, um profeta contratado por um rei para maldizer Israel. Balaão (observa o Papa) “tinha seus defeitos, até mesmo pecados. Porque todos nós temos pecados, todos. Todos somos pecadores. Mas não se assustem – exorta o Pontífice – Deus é maior do que os nossos pecados” e continua: 

No seu caminho, Balaão encontrou o anjo do Senhor e transformou o seu coração”. “Não muda de partido”, mas “passa do erro à verdade e diz aquilo que vê”: o Povo de Deus vive nas tendas, no meio do deserto e Balaão, “além do deserto, vê a fecundidade, a beleza, a vitória”, abre o coração, “converte-se”, e “vê mais longe, vê a verdade”, porque “com boa vontade sempre se vê a verdade”. “É uma verdade que dá esperança”.

A esperança – afirma o Papa – é esta virtude cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e que nos faz ver mais longe, isto é, além dos problemas, das dores, das dificuldades, além dos nossos pecados”. Nos faz “ver a beleza de Deus”:

Em seguida o Papa entrou no discurso da esperança com essas palavras: “quando estou com uma pessoa que tem esta virtude da esperança e que está a passar por um momento difícil da vida – uma doença, uma preocupação com um filho ou uma filha ou alguém da família, seja o que for – existe um olhar penetrante, a liberdade de ir além, sempre além; e esta é a esperança; esta é a profecia que a Igreja nos dá hoje: há necessidade de mulheres e homens de esperança, mesmo no meio dos problemas. A esperança abre horizontes, a esperança é livre, não é escrava, encontra sempre uma saída”.

No Evangelho, (diz Papa Francisco) existem os chefes dos sacerdotes que perguntam a Jesus com que autoridade age: “Não têm horizonte,”– são “homens fechados nos seus cálculos”, “escravos da própria rigidez”; e os cálculos humanos “fecham o coração, encerram a liberdade”, enquanto a “esperança nos deixa mais leves”.

Um outro tema que o papa abordou, na mesma homilia, é o da liberdade e iniciou com estas palavras:

Quanto é bela a liberdade, a magnanimidade, a esperança de um homem e de uma mulher de Igreja. Ao invés, quanto é feia e quanto faz mal a rigidez de uma mulher e de um homem de Igreja, a rigidez clerical, que não tem esperança. Neste Ano da Misericórdia, existem dois caminhos: o caminho de quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai; que Deus perdoa sempre, e tudo e que além do deserto há o abraço do Pai, o perdão. Existe também o caminho dos que se refugiam na própria escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus. Estes eram os doutores da lei, que tinham estudado, mas a ciência deles não os salvou”.

Finalmente o Papa conclui a homilia contando um facto que lhe ocorreu em 1992 em Buenos Aires, durante uma Missa pelos doentes.

"Estava eu confessando há muitas horas e estava a ponto de me levantar quando chegou uma mulher muito idosa, com cerca de 80 anos, “com os olhos que viam além, esses olhos repletos de esperança”:

E eu disse: “Avó, a senhora quer se confessar?” Porque eu estava indo embora. “Sim”. “Mas a senhora não tem pecados”. E ela me disse: “Padre, todos nós os temos”. “Mas, talvez o Senhor não os perdoa?” “Deus perdoa tudo!”, me disse. Deus perdoa tudo. “E como a senhora sabe disso?”, perguntei. “Porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria”.

E o Papa termina a sua homiliacom estas palavras:

diante dessas duas pessoas – o livre, que tem a  esperança, que oferece a misericórdia de Deus, e o fechado, legalista, o egoísta, o escravo da própria rigidez – recordemos dessa lição que esta idosa de 80 anos me deu: Deus perdoa tudo, só espera que você se aproxime Dele”.