A guerra desfigura os laços entre irmãos diz o Papa

26/10/2015 09:13

Papa: a guerra desfigura os lações entre irmãos, entre nações

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (26/10), na Sala Clementina, no Vaticano, os participantes do 4º curso de formação dos Capelães Militares ao Direito Internacional Humanitário.

O evento é promovido pela Congregação para os Bispos, pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz e pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

Os capelães militares vieram de várias partes do mundo para refletir juntos sobre alguns desafios atuais do direito internacional humanitário, relativos à proteção da dignidade humana durante os conflitos armados não internacionais e os novos conflitos armados.

Trata-se de um tema atual, especialmente se pensamos na intensificação da violência e na multiplicação dos palcos de guerra em várias partes do mundo, como África, Europa e Oriente Médio”, disse Francisco.

Este é um momento para “meditar e trocar experiências sobre como a sua missão de acompanhamento espiritual dos membros das forças armadas e suas famílias possa contribuir para prevenir as violações do direito humanitário, com o objetivo de reduzir a dor e os sofrimentos que a guerra provoca nas vítimas e naqueles que combatem”, frisou ainda o pontífice.

Segundo o Papa, “a guerra desfigura os lações entre irmãos, entre nações, e desfigura também aqueles que são testemunhas de tais atrocidades”. “Muitos militares voltam depois das operações de guerra ou de uma missão de restabelecimento da paz com feridas interiores profundas. A guerra pode deixar o seu sinal indelével. A guerra, na realidade, deixa sempre um sinal indelével”, sublinhou Francisco.

A esse propósito, o Papa afirmou que é necessário se interrogar sobre a modalidade adequada para curar as feridas espirituais dos militares que, tendo vivido a experiência de guerra, viram crimes atrozes. “Essas pessoas e suas famílias precisam de uma atenção pastoral específica, uma solicitude em que possam sentir a proximidade maternal da Igreja. O capelão militar deve acompanhá-las e ajudá-las em seu caminho, e ser uma presença consoladora e fraterna”, frisou o pontífice.

O direito humanitário se propõe a salvaguardar os princípios essenciais de humanidade num contexto de guerra que é desumanizante. Ele deve proteger aqueles que não participam do conflito, como a população civil, os agentes de saúde e religiosos, feridos e prisioneiros. Ao mesmo tempo, esse direito deve banir as armas que causam sofrimentos atrozes e inúteis aos combatentes, e danos graves ao ambiente natural e cultural.”

O direito humanitário deve ser difundido e promovido por todos os militares e forças armadas, pela polícia e demais agentes de segurança. Ele precisa ser mais desenvolvido para enfrentar a nova realidade da guerra que, hoje, infelizmente, dispõe de instrumentos cada vez mais letais.” “Espero que os momentos de debate previstos no curso possam contribuir na busca corajosa de novos caminhos nesta direção”, disse ainda o Papa.

Todavia, como cristãos, estamos convencidos de que a guerra deve ser abolida. Devemos nos comprometer cada vez mais com a construção de pontes que unem e não muros que dividem. Devemos ajudar a buscar a mediação e a reconciliação. Não devemos nunca ceder à tentação de considerar o outro somente como um inimigo a ser destruído, mas como uma pessoa, dotada de dignidade e criada por Deus à sua imagem. Em meio à dilaceração da guerra devemos recordar sempre que “cada um é imensamente sagrado.”

Neste período em que estamos vivendo uma ‘terceira guerra mundial em pedaços’ vocês são chamados a nutrir nos militares e suas famílias a dimensão espiritual e ética que os ajude a enfrentar as dificuldades e os interrogativos muitas vezes dilacerantes ínsitos neste serviço à Pátria e à humanidade”, disse ainda o Santo Padre.

O Papa reiterou a necessidade da oração. “Os capelães devem rezar. Sem a oração não é possível fazer tudo aquilo que a humanidade, a Igreja e Deus nos pedem neste momento”, concluiu  Francisco pedindo aos capelães militares para rezarem por ele.



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