A saúde pode ficar em coma

01/10/2015 19:32

A saúde pode ficar em coma

 

A área da saúde deve ser sempre considerada como um serviço essencial em qualquer nível de governo, seja municipal, estadual ou federal. Deve ser uma preocupação de primeira necessidade por todo governante. Mas não parece ser assim que pensa o atual comando da nação. O Ministério da Saúde, de cujo orçamento dependem todas as unidades da federação, virou objeto de barganha política.

 

O ministro da Saúde, Artur Chioro, que é do PT, o partido governante, foi demitido pela presidente Dilma Rousseff por telefone esta semana, em uma conversa que não durou mais que 2 minutos. Ela entregará a pasta ao PMDB para obter apoio no Congresso e tentar barrar os pedidos de impeachment. Então, a Saúde foi, literalmente, rifada.

 

Por ser do PT, devemos acreditar no que Chioro disse a um jornal paulista, de que o sistema de saúde do país “caminha para o colapso”. Esse, aliás, foi um dos motivos que fizeram a presidente tomar sua ríspida decisão. A questão chave está no orçamento da União para 2016 que foi enviado ao Congresso. Além de prever déficit no montante das contas públicas, reduz os recursos para ministérios, incluindo o da Saúde.

 

A previsão é de um corte de R$ 11 bilhões, ficando o seu quinhão em R$ 91 bilhões. Em tempos passados o orçamento da Saúde já chegou a R$ 121 bilhões. Aí se vê a dimensão do corte nos recursos. Chioro previu que esse dinheiro só durará, precariamente, até setembro de 2016. Afetará, disse, o financiamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPA), dos Samus, hospitais, prontos-socorros, transplantes, serviços de hemodiálise e serviços de análises clínicas.

 

Segundo reportagem, o próprio ministério informou que serão afetados principalmente procedimentos de média e alta complexidades, que perderão R$ 5,3 bilhões. Outra área de grande importância é o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que presta socorro imediato à população em caso de acidente. É mantido com recursos federais, estaduais e municipais. Sua manutenção acabará sendo arcada apenas pelas prefeituras, com evidentes prejuízos no atendimento, devido aos orçamentos apertados.

Esse é mais um reflexo da má gestão que comanda os destinos da nação.