AfD conquista quase 90 cadeiras na Alemanha

25/09/2017 13:39
ALEMANHA
 
Socialistas saem de cena e extrema-direita alça voo na Alemanha
 
Partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquista quase 90 cadeiras no parlamento. Pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, movimento de inspiração nacionalista terá voz no Bundestag
 
Por Rodrigo Lopes - Site do Jornal Zero Hora
Em 2004, fui convidado a fazer uma especialização em Berlim, experiência que permitiu o convívio com colegas de diferentes nacionalidades, como nigerianos, salvadorenhos, equatorianos, vietnamitas, chineses, bengalis, entre outros. Lembro que, nos intervalos das aulas, volta e meia um companheiro relatava que, no retorno de um bar, na noite anterior, fora hostilizado por alguma gangue. Eram atos isolados, mas, recordo, que por medo, esses jornalistas, aos poucos, passaram a preferir os finais de semana perto de seus compatriotas, em redutos de imigrantes em bairros periféricos de Berlim. O Facebook não existia, o ICQ era a principal ferramenta de comunicação pela internet e, pra mim, aquele isolamento a que meus colegas se impunham era a exemplificação do que hoje chamamos bolha - naquele caso, bem mais real do que virtual.
Agressões isoladas contra migrantes, em geral de grupos skinhead ou de supremacistas alemães, sempre existiram na Alemanha, mesmo depois do fim do nazismo - e aprofundou-se com a unificação entre Leste e Oeste. A diferença é que, agora, esses grupos terão voz no Bundestag, o parlamento.
 
Como a Frente Nacional francesa ou o movimento Alt-right americano, a Alternativa para a Alemanha (AfD), que conquistou quase 90 assentos no parlamento alemão na eleição de domingo, não se intitula nazista, tampouco de direita ou de esquerda. É contra o que está aí, as instituições corroídas pela corrupção e alimenta-se da descrença do cidadão na política representativa. Um olhar de lupa permite ver que seu ventre é formado por um balaio de ultradireitistas e grupelhos populistas, fascistas e neonazistas. Tudo com o verniz contemporâneo das redes sociais. 
Sua cartilha prega o fim da União Europeia, a retirada do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e a Alemanha para os alemães - ou seja, a expulsão de milhares de refugiados que chegaram por meio das portas abertas por Angela Merkel. Sua ascensão no país desmistifica a ideia de que a extrema-direita prospera diante de crises econômicas. Ao menos no caso alemão, ela germinou em uma nação com o maior PIB europeu. Ou seja, não é só o desemprego que leva à desesperança, que conduz ao desejo pelo autoritarismo. 
 
Não são só os 12,9% da AfD, uma legenda que não existia há cinco anos, que preocupam. É a rapidez com que conquistou eleitores e como pode se tornar a principal força de oposição política a Merkel. Esse posto poderia ser dos social-democratas, mas, após a derrota acachapante de domingo, o SPD decidiu abrir mão de governar em coalizão com a União Democrata Cristã (CDU), de Merkel, como vinha acontecendo. Sua derrocada é o mais novo golpe na crise que abala a social-democracia na Europa, após derrotas na França, na Espanha ou na Holanda. Preferiram sair de cena para lamber as feridas. Estão na descendente, enquanto a AfD alça voo.
 
 

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