Alckmin culpa Lula por maior recessão do País

11/12/2017 10:10
Tucanos atacam PT e apelam por reforma em convenção
Alckmin é eleito presidente do PSDB em evento que se transformou em ato de apoio à mudanças na Previdência
 
Anne Warth, Daiene Cardoso, Felipe Frazão, Pedro Venceslau / O Estado de S. Paulo.
 
BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez ontem duras críticas ao ex-presidente Lula e ao PT, defendeu a reforma da Previdência e acenou ao presidente Michel Temer. Eleito presidente do PSDB, Alckmin aproveitou a convenção tucana para apresentar um discurso de candidato ao Palácio do Planalto. “O governo Temer herdou uma situação calamitosa e está trabalhando para sair desse quadro”, afirmou. Além de Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu mudanças na Previdência. FHC afirmou que o atual sistema ficou “insustentável” e deve ser mudado “sem medo”.
 
Alckmin culpa Lula por ‘maior recessão’ do País
 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, eleito presidente do PSDB ontem, em Brasília, fez críticas enfáticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, defendeu a reforma da Previdência e acenou ao governo Michel Temer. Alçado para conduzir a sigla após uma crise em torno da sucessão de Aécio Neves (MG) e da permanência na base aliada do peemedebista, Alckmin aproveitou a convenção nacional tucana para apresentar um discurso de candidato ao Palácio do Planalto na eleição de 2018.
 
Último a discursar no evento, Alckmin culpou Lula pela crise e afirmou que o petista “será condenado nas urnas pela maior recessão de nossa história”. “O governo Temer herdou uma situação calamitosa e está trabalhando para sair desse quadro”, afirmou. “O atual governo começou a reverter a tragédia econômica em que o País foi colocado.”
 
O novo presidente do PSDB disse ser favorável à agenda de reformas, com destaque para a já aprovada reforma trabalhista e a da Previdência, atualmente em discussão no Congresso (mais informações na pág. A5). A mudança nas regras da aposentadoria, segundo ele, é necessária para não existir “brasileiros de duas classes”. No discurso, porém, ele classificou como a “mãe” de todas as reformas a política.
 
Com suas declarações, Alckmin enviou, no momento em que o PSDB deixa a Esplanada dos Ministérios, sinais ao PMDB. Para a próxima eleição, Temer busca um candidato de centro, como o Estado adiantou na edição do dia 3 deste mês, capaz de abraçar a defesa de seu legado econômico, como a queda de juros, a redução do desemprego e a aprovação das reformas estruturantes.
 
O governador falou mais como pré-candidato à Presidência do que como recém-eleito presidente nacional do PSDB. Ele responsabilizou ainda Lula pela sequência de erros das gestões petistas. “As urnas os condenarão pelo desgoverno, pelo desmonte da Petrobrás e pelas obras inacabadas”, disse. “Lula quebrou o Brasil e quer voltar ao poder. Ele quer voltar à cena do crime.”
 
Alckmin disse que a ilusão do PT “acabou em pesadelo”. “O Brasil vive uma ressaca, descobriu que a ilha da fantasia petista não foi a terra prometida”, disse. O governador afirmou ainda que o País está “vacinado contra o modelo lulopetista de iludir para reinar”. Para o tucano, enfrentar Lula será “um bom tira-teima”.
 
O tema da segurança pública – uma bandeira do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula – também foi destaque na fala de Alckmin. “Nós nunca nos furtamos a fornecer soluções. É o caso do descalabro da criminalidade. Propusemos a criação de uma agenda nacional para combater o crime organizado, principalmente o tráfico de drogas e de armas.”
 
Urna x cadeia. Escolhido para anteceder a fala de Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também se posicionou sobre Lula. Disse que já o venceu por duas vezes, em 1994 e 1998, e afirmou que o PSDB pode derrotá-lo novamente. “Prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia”, disse. O petista é alvo de nove processos e já foi condenado no caso do triplex do Guarujá a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro.
 
Coube ainda a FHC fazer o “discurso para dentro”. Foi ele, e não Alckmin, que admitiu erros de seu partido. “O povo está enojado, irritado com todos nós”, afirmou. “Sei que muita coisa foi errada, mas temos forças suficientes para reconstruir o PSDB.” Condição que, segundo ele, requer estratégia, contato com o povo e humildade: “Alckmin é simples, nunca mudou. Precisamos de gente assim”.
 
Em um breve discurso, o prefeito de São Paulo, João Doria, pregou a unidade do partido e declarou apoio entusiasmado a Alckmin na disputa pelo Planalto – padrinho e afilhado disputaram veladamente a indicação para 2018. “Quero dar o meu apoio incondicional a Alckmin para a presidência do PSDB e do Brasil”, afirmou. “Peço a todos que aplaudam o futuro presidente do Brasil, Geraldo Alckmin.”
 
A convenção. Com 470 votos, o PSDB elegeu a chapa Unidade. Foram três votos contrários e uma abstenção. A chapa tem como primeiro-vice-presidente o governador de Goiás, Marconi Perillo, que, assim como o senador Tasso Jereissati (CE), retirou sua candidatura a presidente da legenda para unificar o partido. O segundo-vice-presidente é o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP).
 
Também são vice-presidentes os senadores Paulo Bauer (SC) e Flexa Ribeiro (PA), o governador do Paraná, Beto Richa, os deputados federais Shéridan Oliveira (RR) e Carlos Sampaio (SP), e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. O secretário-geral será o deputado Marcus Pestana (MG). A Executiva Nacional foi formada ontem. Seis partidos participaram do evento: PSD, PSC, PR, PSB, PTB e PPS.
 
 

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