Ao receber apoio do PDT, Dilma se diz 'estarrecida' com FMI

23/01/2016 09:07

Em reunião do diretório nacional na qual o partido referendou posição contrária ao impeachment, presidente afirma que vai trabalhar para que o País volte a crescer e volta a chamar de 'golpe' a tentativa de seu afastamento

Isadora Peron e Igor Gadelha - O Estado de S. Paulo


BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 22, em discurso durante reunião do diretório nacional do PDT, que ficou "estarrecida" com o trecho do relatório de previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) que cita o Brasil e prometeu que vai trabalhar para que o País volte a crescer.

No texto divulgado esta semana, o FMI cita a "continuidade da situação crítica" no Brasil como um dos três principais fatores que explicam as dificuldades pelas quais passam a economia mundial. Segundo a entidade, a crise brasileira é ocasionada por dois motivos: a duração da instabilidade política e as investigações dos atos de corrupção na Petrobrás.

 

Dilma, porém, disse não concordar com as previsões do órgão e afirmou ter certeza de que vai conseguir “estabilizar politicamente o País". "Vamos assegurar a tranquilidade para o País voltar a crescer. Vamos voltar a desenvolver esse País”, afirmou.

 

A presidente prometeu que o governo vai voltar a gerar emprego e renda e que os investidores estrangeiros vão recuperar a confiança no País. Para ela, isso será possível porque o País tem fundamentos econômicos sólidos.

 

Impeachment. Em um gesto pouco usual, Dilma resolveu fazer um afago ao seu antigo partido aceitou participar da reunião do diretório nacional do PDT nesta sexta. O partido transformou o encontro num ato contra o impeachment da petista.

 

Em seu discurso, a presidente voltou a afirmar que não há motivos para ela ser afastada do cargo e a classificar a iniciativa como "golpe". “O governo não pode ser objeto de golpe por razões que chamam de políticas, mas não são. Não há nenhuma base para o impeachment e eles sabem disso e não ligam. Eles não gostam de ser chamados de golpistas, mas são", disse.

 

A petista também voltou a fazer menções veladas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável pela abertura do processo de impeachment em dezembro e investigado na Operação Lava Jato. "Não tenho acusação de uso do dinheiro público, não tenho contas no exterior. Tenho vida absolutamente ilibada e honro meus companheiros", afirmou.

 

Durante a sua fala, Dilma fez ainda uma homenagem ao ex-governador Leonel Brizola e lembrou que incluiu recentemente o nome do fundador do PDT no livro dos Heróis da Pátria. Morto em 2004, Brizola completaria 94 anos nesta sexta.

 

Enquanto participava do ato, a presidente ouviu da plateia gritos de "volta para casa" e "vem, Dilma". Mulheres da legenda vestiam camisetas com o rosto estilizado da presidente, que agradeceu o apoio, afirmou que sentia estar entre "amigos" e pediu "sugestões" dos antigos correligionários para o governo.

 

Lava Jato. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Dilma afirmou que “há pontos fora da curva” na Operação Lava Jato e “que têm de ser colocados dentro da curva”.

 

Dilma considerou que “há coisas que não acha corretas” na Lava Jato, como vazamentos de trechos das delações premiadas, e que é “impossível” alguém ser questionado na base do “diz que me diz.”. “Isso que não dá certo. Isso é o mínimo que a gente espera, que quando falarem uma coisa que forem perguntar para uma pessoa, que provem. Porque depois não é verdade e tá lascado, né?"

 

Ainda assim, Dilma defendeu as investigações do esquema de corrupção da Petrobrás. "Nós não somos a favor de impedir a investigação", disse a presidente.


 


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