Após fim das sanções, presidente do Irã viaja à Europa para fomentar comércio

24/01/2016 18:05

ROMA/PARIS (Reuters) - O presidente iraniano Hasan Rouhani irá tentar convencer a Europa nesta semana de que o país pode ser um bom lugar para investir depois que o fim das sanções financeira colocou o país de 80 milhões de habitantes de volta no comércio global.

 

Rouhani, político pragmático eleito em 2013 com a proposta de reduzir o isolamento do Irã, conquistou este mês um acordo sob o qual o país reduz seu programa nuclear em troca do fim das sanções impostas por Estados Unidos, União Europeia e Nações Unidas.

 

Em sua primeira viagem ao exterior desde a efetivação do acordo, ele irá liderar uma delegação de 120 pessoas que inclui empresários iranianos e o ministro de petróleo e gás, passando por Roma e Paris ao longo de cinco dias. Ele irá se encontrar com o papa Francisco e com o presidente francês François Hollande.

 

Uma semana depois do fim efetivo de todas as sanções, autoridades francesas e italianas não esperam que nenhum acordo importante seja assinado durante a viagem. O próprio Rouhani já falou de uma "longa jornada" para a integração econômica do Irã com o resto do mundo.

 

Ainda assim, o Irã já demonstrou seu apetite por produtos ocidentais em uma conferência de aviação realizada antes da visita, anunciando neste domingo planos de comprar oito aviões gigantes A-380 da Airbus e até 100 aviões da Boeing.

 

A visita também ocorre em um momento em que diplomatas estão tentando realizar a primeira negociação de paz em dois anos para colocar um fim à guerra civil na Síria. O Irã, de orientação xiita, é o principal aliado do presidente sírio Bashar al-Assad, enquanto países europeus apoiam a oposição, que é de maioria sunita. Os últimos meses também viram um aumento na hostilidade entre o Irã e a Arábia Saudita, um tradicional aliado dos países ocidentais.

 

"Esta é uma visita muito importante", disse um oficial sênior do Irã. "É hora de virar a página e abrir as portas para a cooperação entre nossos países em diferentes áreas."

 

(Por John Irish e Crispian Balmer)