Argentina tem novo presidente: o liberal Mauricio Macri

22/11/2015 22:55

Num segundo turno histórico para o país, oposicionista do governo vence com mais de 52%

Buenos Aires – Os argentinos votaram pacificamente na histórica eleição presidencial que teve segundo turno pela primeira vez no país, e elegeram o candidato da direita liberal, Mauricio Macri, de 56 anos. Essa é a primeira vez que um líder de direita e da alta sociedade chega ao poder por meio de eleições livres, sem que uma ditadura o apoie, e sem fraudes. Com o novo dirigente, será encerrado um ciclo de 12 anos do kircherismo no poder. Às 23h28, estão apuradas 86,25% das urnas: Macri tem 11.529.829 votos (52,49%) e Daniel Scioli, 10.436.457 votos (47,51%). Scioli já reconheceu a derrota e telefonou para seu opositor, para parabenizá-lo.

Macri assume em 10 de dezembro, dia em que a presidente Cristina Kirchner entregará o cargo, após ter exercido dois mandatos depois de suceder o marido Néstor Kirchner (2003-2007). Cerca de 32 milhões de eleitores foram convocados às urnas num segundo turno histórico neste domingo e mais de 74% compareceram às seções. Luis Nizzo, engenheiro aposentado, de 81 anos, votou em Macri convencido de que “o populismo é um flagelo” e que é preciso mudar para um governo que não seja peronista.

os 56 anos, Macri é ex-presidente do popular clube de futebol Boca Juniors e filho de um imigrante italiano dono de um império comercial. Especialistas políticos acreditam que ele deverá formar alianças no Congresso, onde o kirchnerismo controla o Senado e a maior força na Câmara dos Deputados. Sob o lema “temos que mudar”, Mauricio Macri tentou em sua campanha capitalizar o voto de rejeição ao governo e sua força eleitoral ficou concentrada nas grandes cidades do centro do país. Inclusive, no primeiro turno ele venceu o peronismo em seu reduto histórico da província de Buenos Aires.

PROPOSTAS ECONÔMICAS Prefeito opositor de Buenos Aires, Macri pretende liberalizar a economia, acabar com as restrições à compra de dólares e com tarifas e proteções para importação e exportação. Os fabricantes de roupas, calçados e brinquedos, bem como milhares de pequenas empresas, se beneficiaram das restrições à importação, que têm evitado a invasão de produtos asiáticos baratos. Muitas lideranças desses setores temem que Macri represente a volta das políticas neoliberais da década dos anos 1990, uma época na qual muitos argentinos dizem que foram lançadas as bases para o colapso financeiro do país, ocorrido em 2001 e 2002.

É distinta, porém, a visão a partir do campo argentino, essa nação de milhões de hectares de terra fértil boa para criar gado ou produzir enormes quantidades de soja. O setor agrícola espera que o novo presidente realize reformas estruturais, embora outras indústrias, como a têxtil, temem o risco de perder proteções alfandegárias e outras restrições às importações, que as ajudam a ter vantagem ante a concorrência estrangeira.

Todos os setores, sem exceção, seriam afetados por uma reforma no mercado cambial, que provavelmente produziria uma forte desvalorização do peso argentino. As restrições à compra de dólar propiciaram a aparição de um florescente mercado paralelo e muitas empresas se veriam obrigadas a comprar dólares a uma taxa mais alta.

A abertura da economia também poderia abrir caminho para que investidores estrangeiros explorem "Vaca Muerta", apelido com que foi batizada uma enorme reserva de xisto no Sul da Argentina com potencial muito maior do que a atualmente explorada.


Fonte: Estado de Minas

 


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