Bolsonaro tenta conquistar mercado, gays e mulheres

18/11/2017 08:48
Bolsonaro agora tenta conquistar mercado, gays e mulheres
Coluna do Jornalista Drº Fenelon Rocha - Portal Cidade Verde
 
Jair Bolsonaro (PSC-RJ) começou quase como uma piada. Ou como uma figura folclórica, esbravejando contra grupos LGBT, atacando mulheres e defendendo torturador. Mas em um quadro de desesperança e especialmente em um cenário de violência – no qual ele defende a violência contra a violência –, o deputado do Rio foi ganhando adeptos. E hoje já aparece como um real candidato à Presidência da República, inclusive liderando algumas simulações.
 
Diante do novo cenário, o deputado se mexe para tentar ser levado a sério. E faz acenos conciliatórios até mesmo para os segmentos que tanto hostilizou nos últimos anos. Tenta, portanto, correr atrás do prejuízo. Um prejuízo grande, porque as mesmas armas que geraram apoio popular – um discurso virulento de ultra direita e a promessa de mão forte – angariou um monte de adversários. E multiplicou rejeições. Tanto que Bolsonaro é hoje o adversário preferido por qualquer outro concorrente.
 
Na busca para ser efetivamente um candidato viável, Bolsonaro lança pontes, por exemplo, para o segmento feminista. Tenta apagar as refregas passadas com mulheres como a que teve com a deputada Maria do Rosário (PT-RS) criando um movimento de mulheres nas redes sociais, uma espécie de “feminismo bolsonarista”. Pode-se encontrar, por exemplo, uma página no Facebook que diz sem rodeios: "Sou Feminista e Apoio Bolsonaro". A página já conta com 20 mil curtidas.
 
A ala feminina que respalda Bolsonaro festeja o discurso duro do capitão da reserva do Exército. É elogiado, entre outras coisas, pelo projeto em que o deputado propõe a castração química para estupradores.
 
Mas a estratégia não livra o deputado de duros argumentos contrários. Na verdade, ele conta com uma infinidade de críticas, especialmente das lideranças historicamente envolvidas com as lutas feministas. É o caso de Karoline Torquatto, para quem ver uma feminista referendar as ideias de Bolsonaro "é como ser negro e apoiar a escravidão".
 
As resistências vão além. E Bolsonaro tenta lançar outras pontes. Nas redes sociais, seus seguidores espalham fotos do deputado com integrantes da comunidade LGBT, tentando anular a referência negativa construída a partir de diversas polêmicas, em especial o embate com o deputado Jean Wyllys (PSL-RJ), representante do segmento.
 
Quanto ao mercado, tenta se aproximar de lideranças do setor empresarial. Com esse fim, recentemente fez viagem aos Estados Unidos. Quis se vender como alguém com ideias interessantes para o mercado. Mas teve quase todos seus compromissos cancelados, e terminou sendo notado ao visitar uma fábrica de pistolas e testar alguns modelos.
 
Bolsonaro propôs me matar, diz FHC
 
A possibilidade de Jair Bolsonaro chegar ao Poder não assusta apenas segmentos como a comunidade LGBT e o movimento feminista. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse em palestra nos Estados Unidos que teme que o Brasil repita a Itália pós-Mão Limpas e eleja um presidente de direita. “Há pessoas da direita que são perigosas”, afirmou.
 
FHC não citou nomes. Mas deixou claro que se referia a Bolsonaro, candidato declarado à Presidência. E lembrou: "Um dos candidatos propôs me matar quando eu estava na Presidência”. Disse que na época não prestou atenção, mas agora tem medo, porque agora “ele tem a possibilidade do poder."
 
Vale recordar, em 1999 Bolsonaro defendeu mudanças no país na marra: "Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC".
 
 

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