Bumlai está costeando o alambrado - Por Noblat

24/12/2015 13:43

Por Ricardo Noblat

Gado (Foto: Arquivo Google)

Para que a Justiça concorde em reduzir a futura pena de um criminoso em troca de sua delação, não basta que ele se disponha a delatar ou que comece a fazê-lo.

É preciso que o que ele tenha a contar, de fato, interesse à Justiça, seja para esclarecer fatos investigados por ela, seja para incriminar outras pessoas.

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de copa e cozinha do ex-presidente Lula, preso desde novembro último, já prestou três depoimentos à Polícia Federal.

Nem por isso virou um delator. Respondeu às perguntas sem o compromisso de dizer a verdade. Confirmou suspeitas da polícia e deixou a impressão de que mente para proteger Lula.

Talvez espere ser condenado para só então negociar a delação. Ou imagina que a polícia carece de provas para que o juiz Sérgio Moro possa condená-lo. Está jogando. E a polícia também.

Bumlai tem tudo para se tornar uma peça preciosa da Lava-Jato, aquela capaz de comprometer Lula com a roubalheira na Petrobras.

A convite de Lula, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, operador do mensalão, hospedou-se uma única vez na Granja do Torto, uma das residências oficiais do presidente da República em Brasília.

Até Lula não soube ou não quis informar à Polícia Federal quantas vezes hospedou Bumlai no Torto. Por certo, só podem ter sido muitas vezes. De poucas a gente costuma lembrar.

Lula disse à polícia que Bumlai era seu amigo, mas nem tanto assim. Deliberadamente, tentou reduzir a importância dele em sua vida.

Ocorre, pelo que Bumlai contou até aqui, que ele foi mais importante para Lula do que Lula quer admitir. Bumlai amparou a família de Lula em suas necessidades mais básicas, tipo casa, escritório, gastos.

Intermediou encontros de Lula com pessoas interessadas em fazer negócios com a Petrobras, mas não só ali. A pedido de Lula, montou um consórcio para construir a usina de Belo Monte.

No ano passado, empenhado em vender a sua usina de álcool para uma empresa do Qatar, emirado do Oriente Médio, Bumlai chegou a marcar uma reunião entre Lula e o embaixador do Qatar no Brasil.

O que pretendeu com isso? Que diabo Lula teria a ver com um negócio particular dele, Bumlai?

O pecuarista, por ora, está costeando o alambrado, como costumava dizer o ex-governador Leonel Brizola.

Quem costeia o alambrado é o gado que ameaça passar para a propriedade vizinha.