Catedral - Por Dom Celso José Pinto da Silva

26/10/2015 17:02

Catedral

Por Dom Celso José Pinto da Silva

O cerimonial dos bispos assim define a catedral “A igreja catedral é aquela na qual o bispo mantém sua catédra”. Uma modesta igreja de madeira, despida de grandiosidade arquitetônica e despojada de decoração artística, poderá ser elevada à dignidade de Igreja Catedral, se nela for situada a cátedra do bispo. Portanto, a grande relevância das Igrejas Catedrais advém do fato de nelas se situar a Cátedra do Bispo.

 

Seja de mármore, de maneira preciosa, obra de um grande escultor ou de um simples artesão, a cátedra do bispo representa a plenitude do mistério que lhe foi confiado como sacerdote, profeta e pastor de sua diocese. É da cátedra que ele preside as celebrações mais solenes da liturgia, manifestando sua condição de Sumo sacerdote do rebanho que lhe foi confiado. A cátedra também representa a missão de mestre na fé pela qual ele confirma a fé dois fiéis. A cátedra, lembrando um trono, pode expressar a qualidade de pastor e guia da comunidade diocesana. A cátedra, lembrando a tríplice dimensão da missão do bispo, nos faz ver que a vida cristã do rebanho decorre e depende, de certo modo, do ministério episcopal.

 

A cátedra é considerada o coração da catedral. Deve ocupar local de grande destaque de modo que todos os fiéis possam perceber o bispo como “sinal visível da comunhão” de sua igreja. A catedral proclama, em sua realidade material, o ditradicional: “Ubiepiscopus, ibiecclesia” (onde o bispo está aí está igreja).

 

A catedral é também denominada “Igreja do Bispo”. Nela o bispo preside as cerimônias mais significativas e de maior expressividade litúrgica para vida eclesial. Dentre elas destaca-se a Missa do Crisma ou Missa da Unidade. É presidida pelo bispo, concelebrada por todos os padres que exercem ofícios eclesiais na diocese. Nessa celebração são abençoados os óleos destinados à unção dos batizandos e dos enfermos.

O momento mais solene desta missa é quando o bispo, juntamente com os padres, consagra óleo do crisma para o sacramento da confirmação e para a unção das mãos dos padres em sua ordenação. Essa celebração é considerada uma das maiores expressões da plenitude do sacerdócio do bispo e da íntima comunhão sacramental que une os presbíteros ao bispo e entre si. Abrigando em sua nave essa celebração, a cátedra se constitui visível expressão litúrgica da própria igreja particular, enquanto nela a comunidade dos fiéis, em torno de um único altar, participa da eucarística presidida por seu bispo cercado de seus presbíteros e de outros ministros da igreja.

 

Na história da Igreja, muitas vezes, a catedral serviu à caridade pastoral dos bispos quando eles a abriram para receber pessoas perseguidas, fugitivos de guerras e, sobretudo, entes desamparados e vítimas de catástrofes naturais. São Carlos Borromeu acolheu na Catedral de Milão as vítimas da grande peste que naquele tempo assolou toda aquela região. Até hoje se pode ver pinturas artísticas danificada pela cal usada na época para desinfetar as paredes da catedral. Dessa maneira a catedral manifesta concretamente a dimensão da caridade eclesial, integrante da sua tríplice missão.

 

Não raras vezes as catedrais foram lavadas pelo sangue de mártires, como aconteceu quando S. Tomás Becket foi assassinado, junto ao altar de sua catedral. Recentemente grande número de católicos foi chacinado durante a celebração da Missa no interior da Catedral de Bagdá.

 

Ultimamente vem crescendo nos católicos a consciência da importância eclesial das catedrais. Dá-se mais valor e maior solenidade às celebrações litúrgicas comemorativas do aniversário da sagração das catedrais. Há dioceses que organizam romarias à sua catedral em datas significativas para a vida da igreja local.

 

O amor à nossa catedral não deve ser motivado por seu valor artístico nem pela beleza de sua arquitetura, mas por uma visão de fé: ela simboliza materialmente aquela divina construção da qual o Pai é o arquiteto e nós, pedras vivas consagradas pelo batismo.

 

[..] aproximando-vos de Jesus Cristo, também vós como pedras vivas entrais na construção de um templo espiritual e formais um Sacerdócio Santo […]” (1Ped 2, 4-5).