Céu sem estrelas - Folha - Natuza Nery - Painel

03/11/2015 09:39

Natuza Nery - Coluna Painel - FOLHA

FOLHA DE SP - 03/11

Nenhum dos quatro principais marqueteiros políticos com vasta experiência em disputas em São Paulo —João Santana, Luiz Gonzalez, Duda Mendonça e Nelson Biondi— deve participar das eleições para a prefeitura da capital, em 2016. Apontado como o futuro marqueteiro de Fernando Haddad, Gonzalez é categórico: “Não vou fazer campanha no ano que vem para nenhum candidato”. A ausência desses pesos pesados amplia o já alto nível de imprevisibilidade da corrida municipal.

A conferir 

Nelson Biondi, marqueteiro do governador Geraldo Alckmin nas eleições do ano passado, tem dito nos bastidores que não pretende estar na linha de frente da campanha tucana.

Ajudinha 

Apesar da decisão de não atuar em 2016, Gonzalez vem mantendo contato frequente com o time de Haddad. Sua agência de propaganda atende a prefeitura e o governo do Estado.

Frustração 

O entorno do prefeito esperava um resultado melhor do que os 15% de aprovação registrados pelo Datafolha. A expectativa era de que a avaliação positiva estivesse na casa dos 20%.

Sinal trocado 

Em um cenário testado pelo Datafolha, Marta Suplicy (PMDB) aparece bem à frente de Haddad entre os simpatizantes do PT, 31% a 19%. Já entre os que preferem o PSDB, Andrea Matarazzo tem 15%, e João Doria Jr., seu rival interno, 9%.

‌Sósia 

A pedido da primeira-dama Ana Estela, Fernando Haddad saiu de casa, por volta das 23h, para andar com o cachorro. Um homem que passava no local reagiu, surpreso: “Prefeito, é o senhor mesmo?”.

Fica a dica 

Com a Lava Jato prometendo espantar doações oficiais, empresários estão buscando alternativas para ajudar seus candidatos sem aparecer nas planilhas do TSE.

Escuro 

Há relatos de que muitos já estão se oferecendo para assumir a contratação de pesquisas eleitorais por debaixo dos panos.

Conta de padeiro 

O relatório do TCU sobre os fundos federais de telecomunicações mostra que a Secretaria do Tesouro Nacional e a Anatel têm somas diferentes sobre a arrecadação do Fistel, cujo dinheiro deveria ser destinado à fiscalização do setor, entre 1997 e este ano.

Errinho bobo 

A agência calcula R$ 67,2 bilhões, enquanto o Tesouro soma R$ 82,2 bilhões —uma diferença de R$ 15 bilhões.

E mais essa 

No documento, a Secretaria de Orçamento Federal diz ser “matematicamente impossível”, por questões técnicas, saber se e quanto do fundo foi usado com gastos sem relação à sua finalidade original até 2009. Não à toa, o governo não consegue calcular o deficit fiscal deste ano com exatidão.

Conselho 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ouviu de emissários da presidente Dilma Rousseff um conselho para reduzir a resistência do PT e de integrantes do próprio Palácio do Planalto: tentar, “na medida do possível”, ser menos irônico.

Mau gosto 

Nas reuniões internas, colegas afirmam que o titular da equipe econômica não costuma ser nada econômico no sarcasmo. “Ele precisa facilitar a convivência”, afirma um interlocutor presidencial.

Headhunter 

O PT busca no mercado uma empresa para substituir a agência de comunicação interativa Pepper, cujo contrato para atuar nas redes sociais será rompido em dezembro. A empresa é um dos alvos da Operação Acrônimo da Polícia Federal.

Guerrilha digital 

O partido sondou a empresa Analítica e a agência Cobracriada Inteligência em Rede, dos jornalistas Áureo Germano e Leandro Fortes. Apesar da prospecção, a cúpula petista não descarta criar uma estrutura própria.

TIROTEIO

Haddad vem fazendo uma gestão moderna, olhando para a São Paulo do futuro. Aos poucos a população vai perceber isso.
DE GABRIEL CHALITA (PMDB), secretário de Educação da capital, avaliando que o prefeito tem margem para crescer nas pesquisas de opinião.


CONTRAPONTO

O presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), anunciava o deputado Paulo Maluf (PP-SP), que discursaria em homenagem ao cardiologista Roberto Kalil Filho.
Antes de passar a palavra, o tucano ressaltou que Maluf é um dos políticos “mais antigos” em atividade.
O deputado, então, contou uma história:
—Na época em que eu andava de bonde, a loja de um patrício na rua Domingos de Morais tinha duas placas: “Compra-se móveis velhos” e “Vende-se móveis antigos”—, disse, para gargalhada geral.
Acalmados os ânimos, Maluf emendou:
—Prefiro ser antigo, portanto.