Como (não) blindar seu chefe - Diário do Povo

20/08/2017 08:46
Como (não) blindar seu chefe
 
 
Editorial - Jornal Diário do Povo do Piauí - Edição do Final de Semana
 
Sábado/Domingo, 19 e 20 de agosto de 2017 - Teresina - Piauí
 
É muito comum em empresas privadas, mas também presente em demasia nas instituições públicas, a função que subordinados, que realmente sentem-se integrantes da equipe, tomam para si, formando uma espécie de "exército" na defesa dos interesses daqueles que os lideram.
 
A prática pode até ser aceitável, quando realmente se trata de um chefe que integra todos os bons comportamentos dele esperados, respeitando seus colaboradores tanto nas relações pessoais como nas trabalhistas. O fato no entanto ganha outra dimensão quando, ou por interesses próprios e diversos essa, por assim dizer, blindagem, chega a ser tão exagerada que ao invés de preservar terminar por causar sérios transtornos.
 
Nas instituições e órgãos públicos principalmente, a blindagem é perigosa. Em nome de uma preservação da imagem, muitas vezes gerentes, coordenadores e assessores envolvem a figura que os chefia em uma redoma, afastando-a até mesmo das origens que a levaram a ocupar o posto atual,
 
Nesses casos, a blindagem torna o homem público um ser inacessível, ferindo exatamente o ponto em que ele deveria ser mais aberto ao diálogo, à transparência e à cordialidade. É como andar para trás, relegando a segundo ou terceiro plano relações que em um passado não muito distante contribuíram para o seu crescimento na área em que atua.
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Por isso mesmo os chefes precisam estar atentos ao comportamento daqueles que os cercam. Alguns, muito bem intencionados, fazem esse papel de "seguranças" crentes que estão acertando. Outros, com intenções nem tão boas assim, usam artimanhas para afastar o superior do que pode lhes respingar de lama.
 
Não que os chefes necessariamente sejam inocentes ou abobalhados, prontos para serem comandados pelos que acham que comandam. Mas, sim, porque muitas vezes, dentro das atribuladas atribuições que lhe recaem sobre os ombros, não têm aqueles que lideram o tempo necessário para tudo observar. O que se transforma em um grande risco.
 
Se são empresários, os chefes precisam conhecer tudo dentro da empresa. Do porteiro ao gerente e junto com eles suas funções. Se assim não for, correm o risco de ver o negócio degringolar e chegar mesmo a falir.
 
Se são gestores públicos e políticos, a questão é ainda mais séria. É com o dinheiro público que lidam e é para a população que trabalham. Nesse caso, serem blindados a ponto de não esclarecerem certas situações pode ser um ato falho que trará consequências futuras. Deixar-se blindar a ponto de desmerecer a atenção ou o diálogo franco pode ser um caminho certo para a derrota.
 
Em todos os governos e em todas as administrações, assim como em todas as gestões e chefias, sempre existiu e existirá o grupo que blinda. O cerne da questão é saber escolher esse grupo. Descobrir até onde vão interesses próprios, ganhos próprios, favorecimentos, em detrimento da transparência e condução eficaz dos recursos públicos. São poucos que certamente precisam de muita atenção.
 
Ao longo da história da humanidade, nos palácios, nas cidades e mesmo nas aldeias existiram e existirão blindagens. Que elas sejam então desempenhadas dentro da ética e do respeito aos outros. Entrar num jogo de empurra e de adoção de ações antes condenadas com certeza nunca será o melhor caminho. Bons entendedores entenderão !
 
 
Fonte: Jornal Impresso - Jornal Diário do Povo do Piauí
 
 

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