Contra Dilma, caminhoneiro fecha estradas pelo país

10/11/2015 07:11

No 1º dia de paralisação, caminhoneiros montam bloqueios em rodovias de 14 Estados

Transportadores pedem redução no valor do óleo diesel, uma tabela de preços mínimos para o frete e a saída da presidente Dilma

 

José Maria Tomazela - O Estado de S. Paulo

 

Caminhoneiros fecharam nesta segunda-feira, 9, 43 pontos de rodovias em 14 Estados brasileiros contra o governo da presidente Dilma Rousseff. As manifestações, que têm como principal objetivo a renúncia da presidente, se concentraram em Estados importantes para a produção agrícola do País, como Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Santa Catarina – o que trouxe preocupação entre exportadores.


Representantes do grupo independente Comando Nacional do Transporte (CNT), responsável pela mobilização, garantem que tiveram novas adesões e o movimento continuará nos próximos dias. O objetivo é conseguir o apoio da população em geral para ir às ruas e fortalecer os protestos a favor da queda da presidente, diz Ivar Luiz Schmidt, líder do movimento.

 

Diante do clima em que se encontra o País, com inflação elevada e aumentos consecutivos dos combustíveis e da energia elétrica, achamos por bem pedir a renúncia da presidente. Não acreditamos mais que ela seja capaz de conduzir o País para fora do abismo no qual se encontra”, diz o organizador do movimento.

 

No Palácio do Planalto, a greve e a pressão em cima da presidente ocorrem num momento em que o Congresso Nacional tinha dado uma “certa” trégua ao governo em relação ao impeachment. Para o ministro Edinho Silva, da Comunicação Social, o movimento visa desgastar politicamente o governo.

 

Segundo ele, nenhuma pauta de reivindicações foi encaminhada pelos organizadores. “Uma greve vem com questões econômicas, sociais e, geralmente, é propositiva, mesmo quando se trata de questões políticas. Eu nunca vi uma greve onde o único objetivo é gerar desgaste para o governo.”

 

Por outro lado há um receio por parte do governo de que o protesto dos caminhoneiros se mantenha de alguma forma até o final de semana e seja engrossado com a manifestação pró-impeachment marcada para domingo, dia 15 de novembro, feriado de Proclamação da República, em Brasília, e em outras cidades do País.

 

Ação. Os bloqueios atingiram importantes rodovias de ligação entre São Paulo e outras capitais – como a Dutra, acesso ao Rio de Janeiro, e a Fernão Dias, ligando São Paulo a Belo Horizonte. A mobilização chegou a prejudicar o trânsito na Marginal Tietê, principal via de escoamento de tráfego da capital paulista. Um comboio de caminhões seguiu para a Baixada Santista, mas até a tarde desta segunda-feira não tinham sido bloqueadas as operações no Porto de Santos. Foi realizado um protesto nas imediações do cais.

 

No Rio Grande do Sul, houve bloqueios em 13 rodovias, mas todas estavam liberadas à tarde, disse a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na madrugada, manifestantes queimaram pneus, mas não houve confronto com a polícia. No Paraná, seis rodovias federais e estaduais foram fechadas, uma delas com bloqueio total. Em Minas Gerais, houve seis bloqueios em vias federais, e na Bahia, quatro, um deles total. Goiás registrou quatro interdições parciais.

 

Em Mossoró (RN), base de Schmidt, a principal liderança do movimento, até um pixuleco – boneco gigante representando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uniforme de presidiário – foi levado para a rodovia. Manifestantes queimaram pneus para fechar a BR-304, que permanecia interditada no final da tarde. Na BR-153, em Anápolis (GO), também houve queima de pneus. Na SC 486, próximo de Itajaí, o líder dos manifestantes Antônio Heil foi preso após atravessar o caminhão na pista e obstruir a passagem de outros veículos.

 

De acordo com a PRF, na maioria das vias houve bloqueio parcial, com a formação de filas de caminhões. À medida que veículos de carga chegavam, eram abordados e convidados à aderir à paralisação. Segundo o comando nacional da paralisação, só eram parados caminhões com carga secas. Veículos com leite a granel, ração para suínos, remédios, oxigênio para hospitais e transporte de lixo eram liberados.

 

Sem apoio. O presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, disse que a entidade não apoia a mobilização do Comando Nacional. “Parar rodovias em meio à crise econômica não ajuda, só pode piorar. Respeito os movimentos sociais e as reivindicações, mas esse não é o momento oportuno para uma paralisação”, informou, através da assessoria.

 

Em nota, o Movimento Vem Pra Rua negou participação nos protestos. “O Movimento Vem Pra Rua apoia movimentos pacíficos, ordeiros, e que visem exclusivamente um Brasil melhor, livre de corrupção. Não apoiamos pautas específicas que não digam respeito aos nossos objetivos.” O Movimento Brasil Livre manifestou apoio pela rede social.

 

/Colaboraram Aline Torres, Gabriela Lara, Renê Moreira, Wagner Machado, Júlio César Lima, Leonardo Augusto, Anna Ruth Dantas e Renée Pereira

 


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