Convenção do PSDB vira ato pró-Alckmin 2018

13/11/2017 21:02
Convenção vira ato pró-Alckmin 2018
Partido. Governador paulista é impulsionado por correligionários para comandar PSDB e disputar o Planalto em 2018; pela primeira vez, tucano não descarta assumir sigla
 
Pedro Venceslau / O Estado de S. Paulo.
 
A convenção estadual do PSDB, realizada ontem em São Paulo, transformou-se num ato de apoio à candidatura do governador Geraldo Alckmin à presidência da República, nas eleições de 2018. Rodeado por lideranças tucanas e de partidos aliados, Alckmin foi ovacionado por correligionários e admitiu pela primeira vez a possibilidade de assumir o comando do partido, como fez Aécio Neves no pleito de 2014. “Precisamos de unidade para mudar o Brasil. Essa tem de ser a nossa mensagem. Com todos os riscos e muita coragem”, disse.
 
O governador Geraldo Alckmin foi ovacionado ontem como pré-candidato ao Palácio do Planalto por militantes e dirigentes tucanos durante a convenção paulista do PSDB. Em meio à disputa pelo comando nacional da legenda, pela primeira vez ele mudou o tom e já não descarta mais a possibilidade de assumir a sigla. Aos correligionários e lideranças de cinco partidos aliados, Alckmin fez um discurso de campanha para destacar a necessidade de união dos integrantes de sua legenda.
 
Alckmin chegou à Assembleia Legislativa, na capital paulista, local da convenção, ao lado do ex-governador Alberto Goldman, que assumiu o cargo de presidente interino do partido após o senador Aécio Neves (MG) destituir o colega Tasso Jereissati (CE) do posto. Tasso e Marconi Perillo, governador de Goiás, vão disputar o comando da legenda na convenção nacional marcada para o dia 9 de dezembro. O tucano foi cercado por militantes que pediam “Geraldo presidente”.
 
Mudança.“Nós precisamos de unidade. Mas eu pergunto: união e unidade para quê? Para mudar o Brasil. Essa tem de ser a nossa mensagem, a nossa proposta. Com todos os riscos e com muita coragem”, disse. Em seguida, afirmou que é a hora de o PSDB voltar às suas origens, ir ao encontro do povo, buscar a eficiência da gestão para reduzir as desigualdades e fazer o País voltar a crescer.
 
Sem mencionar nenhum dos dois cargos – o de presidente da República e o do partido –, Alckmin reconheceu que o PSDB vive um grande desafio e, já fora do palco, afirmou aos jornalistas que a decisão sobre quem vai comandar a sigla deve ser coletiva. “Vamos aguardar. Essa é uma decisão coletiva do Brasil inteiro. Vamos primeiro completar essa fase das convenções estaduais.” A declaração representa uma mudança no discurso. Até ontem, ele rejeitava a possibilidade de assumir a presidência para pacificar a sigla.
 
Durante os discursos, Alckmin foi precedido pelo deputado estadual Pedro Tobias, seu aliado histórico, que ontem foi reeleito presidente do Diretório Estadual. Ao lado de Goldman e do senador José Serra, Tobias fez um “apelo público” para que o governador presida a sigla nacionalmente. “Geraldo, você é a pessoa que pode levantar o partido. Estamos à beira da divisão e precisamos de você”, disse.
 
Sem citar nomes, Goldman também fez um discurso pela unidade. “A mais importante tarefa que talvez eu tenha agora é produzir um Diretório Nacional unificado, não permitir que
 
esse partido se divida em chapas. A chapa tem de ser uma só, senão, dividimos o partido ao meio no País inteiro. Aí, o PSDB acaba”, afirmou.
 
Terminado o discurso do presidente tucano, militantes da Juventude do PSDB gritaram da plateia em coro: “Eu vim de pijama”, em referência ao polêmico vídeo gravado pelo prefeito João Doria no qual ele critica Goldman e diz que ele “fica de pijamas” em casa. Doria também esteve na convenção, mas deixou o local antes de Alckmin ser conclamado por militantes a disputar o Palácio do Planalto.
 
O prefeito João Doria, por sua vez, disse que defende Perillo para presidir a sigla, mas “se for necessário” que Alckmin assuma o comando como terceira via. “Será bom para o partido”. Doria foi embora antes do discurso de Alckmin.
 
Serra, por sua vez, ficou até o fim do evento e viu Alckmin ser ovacionado presidenciável. Ele foi festejado também, porém como possível candidato ao governo do Estado. “Um, dois, três, é Serra outra vez”, cantava a Juventude Tucana, em referência à sucessão de Alckmin. A aliados, no entanto, Serra ainda não descartou por completo entrar na disputa pela sucessão de Michel Temer.
 
Terceira via. Com o acirramento da disputa entre Tasso e Perillo pela presidência do PSDB, a tese de indicar Alckmin como uma terceira via tem ganhado força. Em uma mensagem publicada em sua página no Facebook semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse esperar que Alckmin “tenha uma posição central na legenda”.
 
Aliados do governador dizem que ele não quer entrar na disputa pela vaga, mas aceitaria a “missão” se fosse aclamado na convenção nacional como solução de consenso. Se essa for mesmo a solução, Alckmin pode repetir estratégias já adotadas na fase pré-eleitoral de 2014. Um ano antes, Aécio foi eleito presidente do PSDB e depois disputou a Presidência da República.
 
 
 

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