Crise atual pode ser a pior desde redemocratização, diz Aécio

11/01/2016 17:38

Em entrevista a revista de Harvard, tucano vê programas sociais afetados

Presidente do PSDB critica ainda política externa de Dilma e defende mudanças nas regras do Mercosul

 

- Folha de S. Paulo

 

SÃO PAULO - Para o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), a atual crise política e econômica do país pode ser considerada a pior desde a redemocratização, em 1985.

 

Em entrevista à revista americana "Harvard International Review", da Universidade Harvard, o líder tucano critica políticas econômicas adotadas desde 2011, durante o governo Dilma Rousseff, e defende outra estratégia para as relações internacionais do país.

 

"O Brasil tem um problema político momentâneo causado pelo desmantelamento provocado pelo PT devido à corrupção e a escolhas políticas e econômicas irresponsáveis. Nesse sentido, pode-se dizer que o Brasil está vivendo seu pior momento político, e o descontentamento está por todo o país", afirma.

 

Como exemplos de crises, o senador menciona ainda a hiperinflação de 1989 e o impeachment de Fernando Collor, em 1992, sem citar, contudo, a petição pelo afastamento de Dilma que tramita na Câmara.

 

Sobre o Bolsa Família, Aécio diz que os benefícios dos programas de transferência de renda do governo estão sendo anulados pelo crescimento lento da economia e a alta do desemprego.

 

"Como o governo atual adotou políticas econômicas equivocadas, os programas sociais se tornaram menos efetivos em diminuir a pobreza", afirma. "É necessário restabelecer a estabilidade econômica e a credibilidade política para recuperar a capacidade do governo em implementar as políticas certas que promovam crescimento econômico, desenvolvimento e justiça social", completa.


Política externa

Questionado sobre a diplomacia brasileira nos últimos anos, Aécio defende uma "reorientação estratégica dos eixos principais da política externa".

 

"Não podemos esperar que a política externa do Brasil continue a perseguir uma estratégia 'Sul-Sul' na América Latina ou em qualquer outra região baseada exclusivamente em orientação e alinhamento ideológicos, em vez de valores democráticos e mercado livre", diz o senador.

 

"Apoiar um regime autoritário como o de Nicolás Maduro na Venezuela ou deixar de condenar as atrocidades do Estado Islâmico, por exemplo, minam a capacidade do Brasil de ser um líder real regional e globalmente", completa Aécio.

 

O líder do PSDB sugere ainda que o Mercosul passe a permitir que seus membros negociem acordos bilaterais de comércio e que a parceria Brasil e Estados Unidos pode trazer mais benefícios ao continente americano.