Cúpula Petista articulou apoio a Cunha

13/11/2015 09:22

Por Thiago Resende - Valor Econômico

 

BRASÍLIA - Lideranças petistas deram um "aval tácito" à nota de apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgada ontem, como resposta ao pedido do PSDB para que o pemedebista se afaste do cargo, diante do processo a que responde por quebra de decoro no Conselho de Ética.

 

Doze partidos, quase todos da base aliada do governo, defenderam a manutenção de Cunha no comando da Casa, argumentando que ninguém pode ser condenado de forma antecipada sem direito de ampla defesa.


O PT participou das reuniões que tratavam do ato, mas não assinou o documento, que tem a rubrica do PMDB, PR, PSC, PP, PSD, PRP, PTN, PTdoB, PEN, PHS, PTB e SD. Segundo uma fonte, até mesmo a maioria da bancada do partido de Cunha acha que situação dele é difícil, mas quer dar a chance de se explicar. "Não é uma defesa total [dele], mas também não é uma execração, uma acusação direta", observou.

A ideia do ato de apoio a Cunha partiu dos líderes Rogério Rosso (PSD-DF) e André Moura (PSC-SE), responsável por declarar o apoio dos partidos no plenário da Câmara minutos depois do PSDB pedir a saída do presidente da Casa e cobrar uma decisão sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

 

José Guimarães (PT-CE) e Sibá Machado (PT-AC), líder do governo e do PT na Câmara, respectivamente, não declararam apoio, mas estavam dentro da operação. O Valor apurou que Guimarães inclusive deu sugestões ao texto que foi lido por Moura. Machado decidiu não assinar o documento alegando que precisaria convocar a bancada, o que "geraria ainda mais ruído", relatou a mesma fonte.

 

Fiel aliado de Cunha, Moura declarou ontem que o grupo partidário, que representa 230 deputados, ratificou "total apoio e confiança em sua condução na presidência da Câmara e que o princípio da presunção da inocência deve prevalecer para qualquer cidadão desse país, inclusive para o presidente da Câmara".

 

Governistas afirmam que a estratégia do Palácio do Planalto é não fazer movimentos contra Cunha. Se o pemedebista continuar colocando os projetos de interesse da presidente Dilma em votação, o governo não vai tomar nenhuma medida drástica contra ele, explicou um líder.

 

Por isso, na nota de apoio a Cunha foi destacado: eEventuais disputas políticas não podem prevalecer para paralisar o funcionamento da Casa no momento em que o país exige e espera que a Câmara delibere as matérias necessárias para o país retomar o crescimento", conforme discurso de Moura.

 

Um dos principais líderes que apoiaram o ato disse que foi um recado para a oposição, que "não vai impor sua vontade no grito". PSDB, DEM e PPS endureceram o discurso contra Cunha após ele apresentar seus argumentos sobre as contas bancárias ligadas a ele na Suíça. A ação dos tucanos irritou Cunha que interpretou a posição do partido como uma forma de pressionar o impeachment da presidente Dilma. Mas a decisão do presidente da Câmara sobre o caso continua prevista para depois do dia 15 de novembro.


 


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