Delegação russa não vai à Assembleia da Europa

18/01/2016 13:01

Delegação russa não vai à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa



A delegação russa tomou a decisão de não participar da sessão de inverno da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), disse a jornalistas o presidente do Comitê Parlamentar russo para os Assuntos da CEI, Leonid Slutsky.

Neste momento está sendo enviada, em nome da presidente da APCE Anne Brasseur, uma carta com assinaturas dos porta-vozes das câmaras do parlamento russo que diz que os plenos poderes da delegação da Rússia para 2016 serão solicitados mais tarde. Iremos faltar à sessão de janeiro”, disse Slutsky.

 

Segundo ele, a Rússia voltará a Estrasburgo somente nas condições de direitos iguais e no caso de haver garantias de serem novamente concedidos todos os plenos poderes à delegação.


“Segundo manifestou o porta-voz da Duma de Estado [câmara baixa do parlamento russo] Sergei Naryshkin, não iremos suportar qualquer discriminação; quaisquer sanções em relação à delegação da Federação da Rússia são inaceitáveis”, sublinhou Slutsky, que é vice-chefe da delação russa na APCE.

A professora Evgenia Voiko, da cátedra de Ciência Aplicada da Universidade Financeira junto ao Governo russo, considera a decisão da delegação russa de desistir de participação da sessão de inverno da APCE bastante lógica.


Durante o tempo que passou desde a privação da Rússia do direito de voto não houve sinais positivos por parte dos membros da APCE… Por isso, tal decisão é lógica em muitos aspectos. Moscou mostra assim que não está pronta para escutar mais uma série de acusações, críticas que houve no ano passado. Ela está pronta a propor a sua própria agenda… mas só caso o diálogo aconteça realmente e seja igual em direitos”, disse Evgenia Voiko à rádio Sputnik.

A especialista opina que a posição da APCE em relação à Rússia no futuro próximo provavelmente não irá mudar.


Neste momento a possibilidade de tal cenário é mínima. Já passou um ano, mas ainda não há sinais de que a Rússia possa recuperar, pelo menos parcialmente, o direito de voto e que os poderes russos sejam pelo menos parcialmente reestabelecidos. E eu acho que a crítica irá somente crescer, a pressão irá aumentar, tanto por causa das ações externas da Rússia, como internas”, explicou a especialista.

Em geral, segundo Evgenia Voiko, a Rússia de fato não irá perder nada desistindo da participação na APCE.

 

No fim de janeiro 2015 a APCE, por causa da situação na Ucrânia, aprovou uma resolução na qual privou a delegação russa do direito de voto, direito de participação na atividade dos órgãos instituintes e no monitoramento das eleições nos vários países. Em resposta, a delegação russa abandonou a Assembleia até o fim de 2015.

 

Anteriormente, o deputado Vasily Likhachev, membro da delegação da Rússia na Assembleia, manifestou que o formato de participação da delegação russa na sessão da APCE em janeiro estava sendo elaborado e que a decisão seria tomada na sequência de consultas com a Duma de Estado, Conselho da Federação [câmara alta do parlamento russo], da chancelaria e Conselho de Segurança.