Dengue, zika e a calamidade na saúde brasileira

29/01/2016 07:32

 - Diário do Poder

Por Roberto Freire

 

Poucos exemplos são tão ou mais emblemáticos do desmantelo do desgoverno lulopetista e das terríveis consequências de sua incompetência do que a trágica expansão dos casos de microcefalia em bebês infectados com o vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue, da febre amarela e do vírus chikungunya. Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde, o país já registra nada menos que 270 casos confirmados e outros 3.448 casos suspeitos de bebês com microcefalia, caracterizada por uma má formação cerebral que faz com que o crânio do feto não se desenvolva normalmente.

 

Ainda de acordo com o levantamento, que começou a ser realizado em outubro do ano passado, os dados indicam um avanço de 3% do número de casos em todo o país em apenas uma semana. Até aqui, as notificações foram feitas em 830 municípios de 23 estados e contabilizam os registros até o dia 23 de janeiro. O número de mortes de bebês com microcefalia já chega a 53, das quais 12 relacionadas ao vírus zika.

 

O vergonhoso descaso das autoridades brasileiras, evidenciado pela falta de uma política pública de combate ao mosquito transmissor, causa perplexidade, indignação e pânico generalizado. Velha conhecida da população há algumas décadas, a dengue se alastra mais uma vez por todo o país e, agora, a propagação do vírus zika também ganha proporções dramáticas. A inoperância do poder público vem transformando o Brasil em um imenso criadouro para o Aedes aegypti, que aqui encontra as condições ideais para sua proliferação. 

 

A situação chegou a tal ponto de calamidade que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta já dando conta da presença do mosquito transmissor da dengue e do vírus zika em todos os países do continente, exceto Chile e Canadá, e em 21 das 55 nações e territórios das Américas. Alguns países alertaram seus cidadãos, em especial as mulheres grávidas, sobre os riscos de uma viagem ao Brasil em meio ao surto de microcefalia. E tudo isso, vejam só, às vésperas da Olimpíada no Rio de Janeiro, um dos maiores eventos esportivos do mundo e que atrairá milhares de turistas ao país neste ano. Para completar, o Ministério da Saúde diz que a vacina contra a dengue é "muito cara", enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por outro lado, pede agilidade no desenvolvimento de testes, vacinas e tratamentos para combater o vírus zika. O governo brasileiro, como de costume, segue passivo e não faz a sua parte.

 

Trata-se, lamentavelmente, de um retrato perfeito do desmantelo, do despreparo e da desmoralização de um governo que já não mais governa. Um país que já teve um ministro da Saúde da estatura de José Serra, mundialmente reconhecido por sua notável atuação durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, hoje acompanha o loteamento desbragado de um ministério tão crucial. Ao indicar o atual ministro para o cargo, Dilma Rousseff não levou em conta seus conhecimentos, aptidões ou ligação com a área. Teve como único objetivo cooptar parte do PMDB para que a tese do impeachment não avançasse no seio do partido – o que dá a medida da falta de rumo do governo e do descaso da presidente da República em relação à Saúde.  

 

Como se não bastasse toda a corrupção desenfreada que marcou os 13 anos de governos lulopetistas, com o mensalão, o petrolão e a sucessão de escândalos e suspeitas que agora recaem fortemente sobre o ex-presidente Lula e seu entorno político e familiar, além da recessão econômica, da volta da inflação, do desemprego galopante e dos crimes de responsabilidade cometidos por Dilma e que ensejam a abertura do processo de impeachment, o Brasil sente as dores do seu próprio atraso e sofre com o desastre na saúde.

 

A irresponsabilidade de um governo que age a reboque dos acontecimentos, apenas lutando para sobreviver e evitar o impeachment desejado pela ampla maioria dos brasileiros, compromete não só o presente, mas o futuro das novas gerações. A dengue e a microcefalia formam a face talvez mais visível e perversa de uma página sombria de nossa história, escrita nesses tristes tempos de lulopetismo. O Brasil está doente.

 

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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS  


 


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