Papa Francisco - Nova Iorque - Estados Unidos

26/09/2015 15:40

Deus vive nas nossas cidades e nos dá um rosto, disse o Papa


 

Nova Iorque (RV) – “Deus vive nas nossas cidades, a Igreja vive nas nossas cidades e quer ser fermento na massa, quer misturar-se com todos, acompanhando a todos, anunciando as maravilhas d’Aquele que é Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”.

 

O Papa Francisco concluiu o quarto dia de sua visita aos Estados Unidos presidindo a celebração da Santa Missa pela paz e a justiça no Madison Square Garden, “lugar emblemático desta cidade, sede de importantes encontros desportivos, artísticos, musicais, que congregam pessoas de diferentes partes, e não só desta cidade, mas do mundo inteiro. Neste lugar, que representa as diferentes faces da vida dos cidadãos que se reúnem por interesses comuns”.

 

A homilia proferida em espanhol, inteiramente inspirada na passagem do Profeta Isaías “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz”, foi ambientada em um contexto urbano atual, onde “o povo que caminhava, o povo no meio das suas atividades, das suas ocupações diárias; o povo que caminhava carregando seus sucessos e erros, seus medos e oportunidades, viu uma grande luz. O povo que caminhava com as suas alegrias e esperanças, com as suas decepções e amarguras, viu uma grande luz”. “E o povo de Deus – afirmou Francisco - é chamado, em cada época, a contemplar esta luz...que quer chegar a cada canto desta cidade, aos nossos concidadãos, em cada espaço da nossa vida”.

 

O Papa reconhece a complexidade da vida nas cidades, marcadas por “um contexto multicultural, com grandes desafios não fáceis de resolver”. “As grandes cidades – continuou - tornam-se pólos que parecem apresentar a pluralidade das formas que nós, seres humanos, encontramos para responder ao sentido da vida nas circunstâncias em que nos achávamos”. Por outro lado – fez a ressalva - “as grandes cidades também escondem o rosto de muitos que parecem não ter cidadania ou ser cidadãos de segunda categoria”:

 

Nas grandes cidades, sob o ruído do tráfego, sob o «ritmo das mudanças», permanecem silenciadas as vozes de tantos rostos que não têm «direito» à cidadania, não têm direito a fazer parte da cidade – os estrangeiros, os seus filhos (e não só) que não conseguem a escolaridade, as pessoas privadas de assistência médica, os sem-abrigo, os idosos sozinhos – postos à margem das nossas estradas, nos nossos passeios num anonimato ensurdecedor. Entram a fazer parte duma paisagem urbana que lentamente se torna natural aos nossos olhos e, especialmente, no nosso coração”.

 

Neste contexto, a certeza da presença de Jesus que continua a envolver-se e envolvendo as pessoas numa única história de salvação, nos enche de esperança, disse Francisco:

 

Uma esperança que nos liberta daquela força que nos impele a isolar-nos, a ignorar a vida dos outros, a vida da nossa cidade. Uma esperança que nos liberta de «ligações» vazias, das análises abstratas ou da necessidade de sensações fortes. Uma esperança que não tem medo de inserir-se, agindo como fermento, nos lugares onde nos toca viver e atuar. Uma esperança que nos chama a entrever, no meio do «smog», a presença de Deus que continua a caminhar na nossa cidade”.

 

Para “aprendermos a ver” a “luz que passa pelas nossas estradas”, “Deus que vive conosco no meio do «smog» das nossas cidades” e “encontrar-nos com Jesus vivo e operante no hoje das nossas cidades multiculturais”, o Pontífice propõe o Profeta Isaías como guia, pois ele apresenta-nos Jesus como «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz». Assim, nos introduz na vida do Filho, para que seja a nossa vida também”.

 

«Conselheiro admirável»: O Papa explica que “o primeiro movimento que Jesus gera com a sua resposta é propor, incitar, motivar. Sempre propõe aos seus discípulos que partam, que saiam. Impele-os a ir ao encontro dos outros, onde realmente estão e não onde gostaríamos que estivessem. Ide uma, duas, três vezes, ide sem medo, sem repugnância, ide e anunciai esta alegria que é para todo o povo”.

 

Como «Deus forte», Jesus é aquele que “se misturou com as nossas coisas, nas nossas casas, com as nossas «panelas», como gostava de dizer Santa Teresa de Jesus”. Como “Pai eterno”, “nada e ninguém poderá separar-nos do seu Amor. Pai que, no seu abraço, é boa notícia para os pobres, alívio para os aflitos, liberdade para os oprimidos, consolação para os tristes”.

 

Por fim, como «Príncipe da paz», Jesus nos impele a “ir ter com os outros para partilhar a boa notícia de que Deus é nosso Pai”:

 

Ele caminha ao nosso lado, liberta-nos do anonimato, duma vida sem rostos, vazia, e introduz-nos na escola do encontro. Liberta-nos da guerra da competição, da auto-referencialidade, para nos abrirmos ao caminho da paz. Aquela paz que nasce do reconhecimento do outro, aquela paz que surge no coração ao ver, de modo especial o mais necessitado, como um irmão”.

 

Ao final da celebração, o Cardeal Arcebispo de Nova Iorque Dolan fez um caloroso agradecimento ao Santo Padre por estar cumprindo “o mais importante e poderoso ato que nós podemos fazer: o Sacrifício da Santa Missa”.

 

 

 


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