Dilma colhe o que plantou em relação a Temer

08/12/2015 10:26

Dilma colhe o que plantou em relação a Temer

Governo tenta colocar panos quentes para não aumentar crise

KENNEDY ALENCAR 
BRASÍLIA

O governo está tentando colocar panos quentes na crise com Michel Temer, porque a última coisa que a presidente Dilma Rousseff pode fazer é brigar publicamente com o vice-presidente. Até hoje de manhã, a posição majoritária no governo era continuar a evitar um conflito aberto com Temer.

Ou seja, Dilma não tinha intenção de responder. Na hipótese de ser obrigada a falar da mensagem, evitar causar mais estresse do que já existe nessa conturbada relação. Getulio Vargas escreveu uma carta testamento. Temer, uma carta desabafo.

Na mensagem que enviou ontem a Dilma, Temer não fala em ruptura, apesar de as entrelinhas deixarem claro que não existe mais confiança do vice na presidente. Esse cristal da confiança foi quebrado e não tem mais cola.

Mas entrar em conflito aberto com Temer só aumentará a divisão interna no PMDB e dará motivo ao vice para articular abertamente a favor do impeachment.

É uma carta muito forte, na qual Temer tem razão. Foi relegado a um papel decorativo no governo e sofreu boicote da presidente quando assumiu a articulação política neste ano. Nem para uma reunião com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, Temer foi chamado. Isso parece algo menor, mas retrata o menosprezo que a petista dedicou ao peemedebista. O vice foi listando uma desfeita política atrás da outra.

Desde o primeiro mandato, a presidente tinha o desejo de enquadrar o PMDB, de depender menos do partido. Isso foi uma burrice política repetida por ela em várias reformas ministeriais até se render, em outubro, a conselhos antigos do ex-presidente Lula. Dilma está colhendo o que plantou em relação a Temer.

Em resumo, essa carta é ruim para Temer, porque expõe todo o desprestígio com o qual ele foi tratado. Mas é pior para Dilma, porque veio bem na hora em que ela mais precisa reunir apoio político para evitar o impeachment. A mensagem pega mal para a presidente e vitimiza Temer.

Para quem ainda não leu a íntegra da carta, vale ir ao Blog do Moreno, que deu o furo.

 

Impeachment assume feição de Cunha

O rito do processo de impeachment da presidente da República está ficando cada vez mais com a cara de Eduardo Cunha. O presidente da Câmara é um mau advogado do impeachment, porque seus atos estão contaminados pelo interesse em jogar para o segundo plano as graves acusações de corrupção que pesam contra ele.

Cunha aceitou o pedido de impeachment em retaliação à recusa do PT de salvá-lo no Conselho de Ética da Câmara. Ontem, rompeu um acordo que havia sido feito na semana passada porque viu que os líderes partidários estavam indicando deputados mais afinados com o Palácio do Planalto.

O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), que é do partido de Cunha, deixou de fora das oito indicações para a comissão os nomes de deputados que são contra o governo.

A oposição erra ao dar um novo abraço em Eduardo Cunha. Quando o PSDB e o DEM se aliam ao presidente da Câmara, enfraquecem a possibilidade de impeachment. Do ponto de vista político, isso permite ao governo apontar o interesse de Cunha em postergar a análise do seu processo de cassação. Juridicamente, pode dar argumento a um intervenção jurídica no rito do processo de impeachment.

Outro fato importante: o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB do Rio defendeu a saída de Cunha da presidência da Câmara. É significativo vindo de alguém do mesmo partido de Cunha.

Pezão também cobrou lealdade de Temer a Dilma, mas essa crítica aconteceu bem na hora da carta do vice à presidente, o que tira um pouco o seu peso. De toda forma, mostra que há um parcela do PMDB disposta a defender Dilma e que a guerra interna peemedebista pegará fogo.

 


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