Dilma e o chefe - Roberto Freire

04/03/2016 17:16

- Diário do Poder

Se ainda havia alguma dúvida a respeito da total incapacidade de Dilma Rousseff para governar o país, ela se desfez com a mais nova capitulação da presidente da República em relação ao seu antecessor. A saída de José Eduardo Cardozo do ministério da Justiça, em decisão tomada sob medida para satisfazer os desejos de Lula e do PT, escancara o grau de ingerência do ex-presidente sobre a atual gestão e revela aos brasileiros o que já se sabia há tempos: Dilma não governa e permanece tutelada pelo líder do lulopetismo, que, na prática, assumiu o comando e dita as ordens como se ainda ocupasse a cadeira no Palácio do Planalto.

 

É forçoso reconhecer que Cardozo nunca foi um grande ministro da Justiça e jamais esteve à altura do cargo, mas foi derrubado por maus motivos – justamente porque não era homem da confiança do ex-presidente, que pretende controlar a Polícia Federal e impedir o avanço das investigações da Operação Lava Jato sobre o escândalo do petrolão. Acuado por uma avalanche de suspeitas e evidências que o associam a diversas ilegalidades, Lula tenta obstruir o brilhante trabalho conduzido pelo juiz Sérgio Moro e pelos procuradores do Ministério Público, além da Polícia Federal. Entretanto, o chefe do PT não terá êxito em sua sórdida investida contra as instituições republicanas se as oposições e a sociedade se mobilizarem em veemente repúdio contra mais esta indecorosa interferência.

 

Como se não bastasse tamanha desfaçatez, a vaga de Cardozo foi preenchida por Wellington César Lima e Silva, um aliado de primeira hora de Jaques Wagner, chefe da Casa Civil e um dos petistas mais ligados a Lula. O novo ministro da Justiça comandou o Ministério Público da Bahia por dois mandatos consecutivos, durante a gestão de Wagner como governador do estado. Para agravar ainda mais o quadro de absoluta imoralidade que permeia o governo, a indicação fere a Constituição (no Artigo 128, Parágrafo 5º, Inciso II, alínea d), que proíbe os membros do Ministério Público de ocuparem “qualquer outra função pública, salvo uma de magistério”.

 

As oposições e a sociedade brasileira têm de estar atentas e em estado permanente de alerta para acompanhar os movimentos de Lula e do PT e seus desdobramentos em relação à Lava Jato e às ações da Polícia Federal. É evidente que a troca no comando do ministério da Justiça serve aos interesses daqueles que pretendem cercear as atividades da força-tarefa de Curitiba e escapar das inevitáveis consequências da investigação. A esmagadora maioria da população já manifestou seu apoio a Moro e à Lava Jato e não aceitará qualquer retrocesso no combate à corrupção.

 

Não podemos mais aceitar uma presidente que se submete às determinações do chefe e mentor político com o único objetivo de atrapalhar as investigações que atingem em cheio seu governo e seu partido. Somente o encerramento do desgoverno que infelicita o país, por meio de uma ferramenta legítima, constitucional e democrática como o impeachment, reconduzirá o Brasil aos trilhos do desenvolvimento e nos fará superar a mais grave crise de nossa história. Trata-se do caminho mais viável e rápido para pôr fim ao desmantelo lulopetista – já que a outra hipótese, a cassação da chapa presidencial pelo TSE, que também pode se concretizar, tende a ser um processo muito mais longo e suscetível às pressões do Executivo sobre os ministros da Corte eleitoral.

 

No próximo dia 13 de março, temos a obrigação moral e o dever cívico de ir às ruas em defesa da Lava Jato, do Ministério Público, da Polícia Federal, da democracia, das instituições, da Constituição e do império da lei no combate à corrupção. Que venha o impeachment, pelo bem do Brasil!

 

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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS