Dilma oferece ministério da Aviação Civil ao PMDB da Câmara

07/12/2015 11:01

Após a saída de Padilha, governo quer apoio de deputados da sigla contra impeachment

 

Gustavo Uribe, Valdo Cruz – Folha de S. Paulo

 

BRASÍLIA - Na tentativa de impedir a abertura do processo deimpeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto pretende oferecer à bancada do PMDB na Câmara dos Deputados o comando do ministério da Aviação Civil.

 

O atual titular da pasta, Eliseu Padilha, aliado do vice-presidente Michel Temer, entregou carta de demissão na noite da última quinta-feira (3) após se irritar com a rejeição pela Casa Civil de três indicados a cargos no governo.

 

O gesto foi interpretado pelo núcleo duro da petista como mais um sinal do afastamento do vice-presidente, que intensificou o diálogo com partidos de oposição e tem evitado defender publicamente a presidente.

 

Nesta segunda-feira (7), o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) se reunirá com Padilha numa tentativa de demovê-lo da decisão, mas sabe que ela é irrevogável.

 

Para prestigiar o vice, a petista vai oferecer ao peemedebista a indicação de um nome da confiança dele para o posto. Mas o Palácio do Planalto já teve a sinalização de que Temer recusará a oferta.


 

Por isso, neste fim de semana, começaram a ser negociadas alternativas para o cargo. Com respaldo do governo, o líder da bancada do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), já começou a sondar nomes, entre eles os dos deputados federais Leonardo Quintão (MG) e Mauro Lopes (MG).

 

A estratégia é prestigiar a bancada mineira do PMDB, a segunda com maior número de parlamentares na Casa.

 

O PMDB e o PT são as siglas que indicarão o maior número de integrantes na comissão especial que elaborará parecer pelo arquivamento ou abertura do processo contra a presidente.

 

A maior parte da bancada peemedebista hoje é contrária ao impeachment, mas um grupo de 30 deputados defende o "Fora, Dilma" e pressiona Picciani a indicar seus nomes para a comissão que tratará do tema.

 

O líder do PMDB, no entanto, já avisou que não escolherá nomes "com postura radical" e tem costurado a lista de indicados com o Planalto.

 

Na semana passada, por exemplo, ele consultou os ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), ambos do PMDB, sobre o procedimento de escolha dos peemedebistas que vão integrar a comissão.