Dilma tenta rachar o PMDB

25/09/2015 21:42

Dilma tenta rachar o PMDB acenando para Leonardo Picciani com a Presidência da Câmara. Já combinou com os russos?

Por que a reforma ministerial empacou? Porque reforma não é, e se trata, na verdade, só de uma tentativa de acomodar o PMDB. Ocorre que, mais uma vez, os magos do Planalto fizeram tudo errado, e a presidente Dilma tentou premiar o partido passando por cima de seus principais líderes.

Michel Temer não foi consultado. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, foi igualmente atropelado. Renan Calheiros (PMDB-AL), que preside o Senado, inicialmente pensado para ser um cavalo de Tróia do palácio no partido, também não mereceu tratamento condizente.

 

Acontece que Temer é vice-presidente da República e presidente do PMDB. Cunha e Renan têm seus próprios cavaleiros, não é? Algum mau leitor de Maquiavel lá do Planalto resolveu ter um ideia: “Por que a gente não ganha Leonardo Picciani (RJ), líder do partido, uma rapaz articulado, ambicioso, um dos lugares-tenente de Cunha? A gente atrai o rapaz, enfraquece o presidente da Câmara e, assim, desarticula o movimento pró-impeachment”.

 

E foi o que Dilma tentou fazer. Sabem como é… Leonardo é jovem, embora seja experiente em muita coisa. Foi eleito pela primeira vez aos 23 anos, à esteira das façanhas do pai, o deputado estadual do Rio e presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani.

 

Dilma acenou ao ainda jovem Picciani com a presidência da Câmara já em 2016 — se a coisa der (ou desse) certo, ele chegará (ou chegaria) ao posto aos 37 anos, um feito realmente notável, né?

 

Ocorre que, para que isso aconteça, ele terá antes de combinar com muitos russos. Dilma garantia a quem quisesse ouvir, por exemplo, que Eduardo Cunha só seria presidente da Câmara por cima do seu cadáver. Ele preside a Casa por cima de seu vivo esperneio.

 

Nunca vi manobra como essa tentada com Picciani dar certo.

 

A reforma ministerial empacou porque a presidente e seus luminares acharam que poderiam rachar o PMDB, usando Picciani como instrumento. Que se geraram perturbações, isso é certo. Que vá resultar em alguma coisa, aí duvido um pouco.

 

Em visita a Goiânia nesta sexta, Cunha disse o que pensa a respeito:“Por mim, o PMDB deve ficar com zero ministério. Não só não vou participar [da reforma], como não quero que o PMDB participe. Eu defendo que o PMDB saia do governo e que tenha instância própria”.

 

O presidente da Câmara cobrou ainda uma um convenção nacional do partido para debater se o partido deve ou não continuar na base:“Se tem uma parte do PMDB que entende que tem que ficar no governo, que fique pela governabilidade, ou fique sem cargos, sem exigir mais cargos. Quem defende a governabilidade e acha que o Brasil passa pelo momento difícil que passa, não deveria exigir cargos para isso. Deveria estar desprendido pela política pública. Mas acho, essa é minha opinião pessoal, de militante do PMDB, vou defender na convenção, que eu espero que seja convocação, que o PMDB saia da base.”

 

E, bem, se notaram, o silêncio de Michel Temer a respeito é muito eloquente.

 

No chamado presidencialismo de coalizão, é claro que o presidente governa com o concurso dos partidos aliados. Isso é normal. Mas é preciso saber para que se governa e com que intuito se busca fazer uma maioria.

 

Olhem aqui: não custa lembrar que Collor tentou afastar o cálice do impechment fazendo o que se chamou à época de um “ministério de notáveis”. Mesmo assim, não deu certo. Não me parece que Dilma será bem-sucedida tentando levar para o ministério alguns… notórios.

 

Por Reinaldo Azevedo

 

 

Fonte: Site da Influente e Conceituada Revista Veja

 

 


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