Distante de Lula, Dilma aprofunda ofensiva na saúde

11/02/2016 11:10

Por Andrea Jubé – Valor Econômico

 

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff aposta no combate ao vírus zika e à epidemia de microcefalia como vacina ao avanço das investigações da Operação Lava-Jato sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que podem atingi-la. A avaliação de auxiliares de Dilma é que o desgaste da imagem de seu antecessor a prejudica diretamente e a torna mais vulnerável ao impeachment que, adormecido, não foi enterrado. Ela comandará do Rio de Janeiro, sede dos Jogos Olímpicos, a megaoperação de sábado em que 220 mil militares sairão às ruas contra o mosquito Aedes aegypti.

 

Auxiliares presidenciais ouvidos pelo Valor reconhecem que a desconstrução da imagem de Lula respinga em Dilma, ainda que ela tenha optado por não fazer uma defesa pública de seu antecessor. "Lula é o fiador político dela e do nosso governo", definiu um assessor do núcleo próximo de Dilma.

 

O cerco da Lava-Jato contra Lula afunilou-se nos últimos dias. Durante o Carnaval, o juiz Sergio Moro autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito específico para tratar da ligação do sítio de Atibaia (SP), frequentado pelo ex-presidente, com a empreiteira OAS, investigada na operação. A propriedade está registrada em nome de dois sócios de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente: Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios na firma Gamecorp, contratada da Oi. Nenhum deles veio a público até agora falar sobre o assunto.

 

Dilma não telefonou para Lula nem se encontrou com ele desde o início do bombardeio de denúncias contra seu antecessor, apenas determinou que o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner - principal elo entre ambos -, orientasse lideranças petistas e aliados a saírem em defesa do ex-presidente.

 

A avaliação de auxiliares presidenciais é que, mesmo tentando se resguardar do avanço da Lava-Jato sobre seu padrinho político, Dilma encontra-se sem o seu maior escudo de proteção. No auge da crise política, quando o acolhimento do impeachment ainda era uma ameaça, Lula desembarcou em Brasília e fez diversas reuniões com lideranças do PMDB e de partidos aliados para desmobilizar o cerco contra Dilma. Em atos petistas, ele exortava a militância a defender a presidente e o governo.

 

No Planalto, ministros do núcleo político afirmam que houve um recuo da ofensiva pró-impeachment no Congresso Nacional, mas alertam que é cedo para cantar vitória.

 

A estreia do governo com uma derrota, mesmo que parcial, logo no reinício das atividades do Congresso, acendeu a luz amarela no Planalto. O mau resultado deu-se na votação de uma das medidas provisórias do ajuste fiscal, em relação à qual Dilma fizera um apelo aos parlamentares na véspera, na leitura da mensagem presidencial. As alterações ao texto da medida provisória que eleva a tributação sobre os ganhos de capital reduziram as expectativas de arrecadação para os cofres federais. Por 205 votos a 176, o texto original do Executivo foi derrotado. "É um sinal evidente de desmobilização da base", admitiu um assessor presidencial.

 

Em meio ao acirramento da Lava-Jato, o Planalto transformará o enfrentamento ao vírus zika na principal agenda positiva de Dilma. Ela comandará pessoalmente do Rio de Janeiro a mobilização das Forças Armadas no sábado, contra a proliferação do mosquito. Serão 220 mil militares, distribuídos entre 356 municípios - sendo 115 considerados endêmicos, capitais, regiões metropolitanas e cidades com unidades militares - que eliminarão focos do inseto e farão esclarecimentos à população.

 

Dilma também vai manter a programação de fazer, pelo menos uma vez por mês, entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. No dia 3 de fevereiro, Dilma entregou residências em Indaiatuba (SP), enquanto ministros fizeram entregas simultâneas em cinco Estados.

 

Sem meios de alavancar no curto prazo as novas concessões ou impulsionar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com as grandes empreiteiras do país implicadas na Lava-Jato, o Planalto elegeu o combate ao mosquito e à epidemia do vírus zika como a agenda estrategicamente positiva da vez, apta a reverter a baixa popularidade da presidente.

 

Nos últimos dias, Dilma dedicou a agenda a encontros com lideranças religiosas, a quem pediu empenho no combate ao mosquito, e a reuniões com ministros sobre o tema. Ela também comandou uma videoconferência com governadores, no dia 29 de janeiro, para divulgar as atividades da Sala Nacional de Coordenação e Controle do vírus zika. Enquanto a economia não recuperar o fôlego, e o Congresso não enterrar o impeachment, o combate ao vírus zika e o programa Minha Casa, Minha Vida, serão os "escudos" anti-Lava-Jato de Dilma.


 


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