Editorial: com oração, vencer a tentação do ódio

20/08/2017 16:25
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Editorial: com oração, vencer a tentação do ódio
 
Cidade do Vaticano (RV) -  Esta última semana foi marcada por notícias de atos de violência e ódio, o que não é uma novidade nestes tempos. O último deles, o atentado terrorista ocorrido em Barcelona no final da tarde de quinta-feira, num local de lazer frequentado por catalães e turistas do mundo inteiro, muitos deles jovens, e que deixou dezenas de mortos e feridos.
 
A reação do Papa Francisco foi de condenação da "violência cega que é uma ofensa gravíssima ao Criador". Ao mesmo tempo, o líder dos católicos exortou para que se continue "trabalhando pela paz e a concórdia no mundo".
 
Outro ato que chamou a atenção pela dimensão do ódio e pelo país onde ocorreu, foi o confronto ocorrido no sábado em Charlottesville, Virgínia, Estados Unidos, quando manifestantes que protestavam contra racistas e neonazistas foram investidos por um automóvel guiado por um jovem que defendia a supremacia branca: uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas.
 
O Arcebispo de Boston, Cardeal O'Malley, recordou a comunidade católica a que serve, as verdades fundamentais de fé, exortando à opor-se ao ódio e à intolerância com a civilidade e a caridade.
 
Curiosamente, estes atos foram intercalados esta semana por datas que recordavam figuras religiosas de espessor, que com suas vidas foram verdadeiros profetas da paz e da reconciliação.
 
Papa Francisco recordou São Maximiliano Kolbe com um tweet, onde dizia que "o caminho para entregar-se ao Senhor, começa todos os dias, desde a manhã".
 
O religioso franciscano, mártir da caridade, trocou sua vida pela de um pai de família no Campo de Concentração de Auschwitz.
Para recordá-lo, uma Fundação a ele dedicada reuniu por cinco dias jovens de 14 países - naquele que no passado foi um campo de extermínio - para falar de diálogo, paz e reconciliação.
 
"Auschwitz - recordou o Bispo de Bamberg, Dom Ludwig Schick, presente no encontro - mostra mais do que qualquer outro lugar ao mundo a que ponto os homens podem fazer mal aos outros. Este horror não deve repetir-se em nenhum outro local do mundo".
 
Recordou-se os nove anos da morte do Irmão Roger Schutz, fundador da Comunidade ecumênica de Taizè, para quem as palavras mais fortes - como resumido por um Irmão da comunidade - eram reconciliação, paz e comunhão.
 
Irmão Roger dizia, que se Deus é amor, os cristãos deveriam ser testemunhas de comunhão e de reconciliação, e não de separação, chamando todos a ser testemunhas de reconciliação neste mundo às vezes muito difícil.
 
O religioso foi esfaqueado em 2005 por uma desequilibrada durante a oração das Vésperas na Igreja da Reconciliação - um grande espaço de madeira em Taizé que costuma reunir milhares de jovens do mundo inteiro para rezar e mergulhar nas fontes da fé.
 
A presença entre nós esta semana destes exemplos de fé, que deram sua vida pela paz e a reconciliação, surge como uma seta para indicar o caminho a seguir, resistindo a toda a tentação da vingança e do ódio, que só levam a perder-se no mar da obscuridade.
 
Fomos renascidos em Cristo pelo Batismo, mas diante da aparente vitória do mal e da violência, constantemente o nosso "homem velho" ressurge com força, clamando pela vingança do "olho por olho, dente por dente".
 
Devemos resistir à tentação do ódio. Somos chamados a ser testemunhas de paz e reconciliação.
 
Pelos humildes - recordou o Papa Francisco no Angelus da Solenidade da Assunção - Deus pode fazer grandes coisas.
 
Assim, a exemplo do que disse o Papa na mensagem de pesar aos espanhóis, elevemos nossa oração ao Altíssimo, "para que nos ajude a seguir trabalhando com determinação pela paz e a concórdia no mundo". Sem Ele, nada podemos fazer.
 
(Jackson Erpen) editorial
 
 

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