Editorial RV: Uma esperança a ser vivida

24/01/2016 20:33

Por Silvonei José

 

Cidade do Vaticano (RV) – Migrantes lançados ao mar, represálias na cidade alemã de Colônia contra os estrangeiros, o pesadelo da xenofobia que renasce. A crônica das últimas semanas na Europa e no Mar Mediterrâneo nos interpela e sob o convite do Papa Francisco somos chamados a vencer o grande medo da atualidade e responder aos desafios com o Evangelho da Misericórdia.

 

No último domingo, 17 de janeiro, celebramos o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado e, por ocasião do Ano da Misericórdia, o Jubileu dos Migrantes. Talvez esse dia tenha passado despercebido ou pouco aprofundado na sua real importância. Mas o Papa Francisco, que segue de perto a sorte de nossos irmãos deserdados já no último 12 de setembro havia divulgado uma mensagem com o tema “Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia”.

 

A mensagem de Francisco toca o coração e captura a atenção evidenciando a realidade de um exercito de pessoas, migrantes e refugiados, disperso por todo o mundo. Trata-se de uma realidade que diz respeito a 60 milhões de pessoas: são pessoas refugiadas ou forçadas a migrar, seja dentro, seja fora de seu país ou ainda pessoas que escolhem, por várias razões, de se deslocarem de um país para outro.

 

O Papa nos faz ver que essa realidade não é uma realidade do passado, ou somente de algumas regiões do mundo, mas faz parte do nosso mundo atual, ao nosso redor. Não podemos ser cidadãos deste mundo, desta terra sem fazer as contas com o fato de que milhões de pessoas estão em movimento contra a sua vontade.

 

Como responder a tudo isso? Francisco dá uma resposta forte: somo todos irmãos e irmãs. Qualquer um que queira dizer “eu sou eu, eu e a minha família estamos aqui e vocês são migrantes e refugiados”, erra. O Santo Padre nos diz que somos todos uma família, somos todos filhos de Deus. Neste Ano da Misericórdia devemos colocar isso em prática.

 

Creio que este sentimento colocou em movimento no último domingo uma iniciativa italiana; mais de 27 mil paróquias se uniram com Roma para participar pessoal ou idealmente de uma manifestação na Praça São Pedro, antes e após a oração do Angelus, com mais de 5 mil pessoas entre migrantes e refugiados.

 

E na sua alocução Francisco saudou os presentes, recordando que cada um traz consigo uma história, uma cultura, valores preciosos, e frequentemente infelizmente também experiências de miséria, de opressão, de medo. “A presença de vocês aqui na Praça – disse - é sinal de esperança em Deus. Não deixem que roubem de vocês a esperança e a alegria de viver, que brotam da esperança da Divina Misericórdia, também graças as pessoas que acolhem vocês e os ajudam.

 

O Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, junto com o Jubileu foi e continua sendo uma ocasião propícia neste Ano Santo da Misericórdia, para encorajar a sensibilização sobre o fenômeno migratório e dar sinais concretos de solidariedade e atenção a tantas pessoas que vivem pelas estradas deste mundo.

 

Já no último dia 11 de janeiro recebendo os embaixadores acreditados junto à Santa Sé, Francisco citou de modo especial no seu discurso, os migrantes. O Papa comentou as razões que levam à fuga de milhões de pessoas: conflitos, perseguições, miséria extrema e alterações climáticas. Razões estas que são resultado da “cultura do descarte” e da “arrogância dos poderosos”, sacrificando homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo.

 

O tema dos migrantes e dos refugiados nos interpela. As dramáticas imagens de homens, mulheres e crianças mortas no mar testemunham “os horrores que sempre acompanham guerras e violências” e a incapacidade do homem de defender e tutelar o próprio homem.

 

A Igreja, como discípula de Jesus, é chamada a anunciar a liberdade aos prisioneiros das novas escravidões da sociedade moderna. Francisco deseja relacionar, de modo explícito, o fenômeno da migração com a resposta dada pelo mundo e, em particular, pela Igreja. O Papa convida o povo cristão a refletir durante este Jubileu sobre obras de misericórdia corporais e espirituais; entre elas se encontra a de “acolher os estrangeiros”. Um desafio lançado, uma esperança a ser vivida. 

 

 


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