Eleição Rio: Divisão impede esquerda de ter candidato único

17/01/2016 11:52

No Rio, Rede e PSOL lançarão nomes; PSB quer Crivella

Fernanda Krakovics e Marco Grillo - O Globo

Dividida, a esquerda deve lançar pelo menos dois candidatos na eleição para a prefeitura do Rio: o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ). Apesar da disputa pelo mesmo eleitorado, integrantes dessas forças políticas apostam na profusão de candidaturas para levar a disputa para o segundo turno. Nesse caso, seria formada uma “frente anti-PMDB”.

 

Aliados de Molon lembram que, em 2012, Freixo foi o único candidato representando a esquerda, e a eleição foi vencida pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) já no primeiro turno.

 

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que o partido está debatendo com movimentos sociais um programa mínimo para a candidatura de Freixo e, a partir daí, discutirá eventuais alianças. Já Molon, que trocou o PT pela Rede em setembro, enfrenta resistência em parte do eleitorado de esquerda pelo fato de Marina Silva, criadora do partido, ter apoiado o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno das eleições presidenciais de 2014. Aliados do deputado, no entanto, minimizam a questão e apostam na conquista do eleitorado de centro.

 

Já petistas que não concordam com a aliança com o PMDB tentam convencer a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) a concorrer. PT e PCdoB têm cargos na prefeitura.

 

A gente considera que precisa ter uma candidatura no campo da esquerda, mas não há definição ainda — disse Jandira.

 

Em outra frente, o PSB já decidiu que terá candidatura própria. A legenda corre agora em busca da definição de um nome e negocia a filiação do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). As conversas estão adiantadas, mas não deverá haver definição antes de março. Para o comando da sigla, é uma candidatura com força para chegar ao segundo turno — Crivella já disputou a prefeitura e chegou ao segundo turno contra o governador Luiz Fernando Pezão em 2014.

 

Os dirigentes do PSB acreditam que a mudança será benéfica para Crivella, que poderá ampliar sua votação para além dos setores evangélicos. Internamente, o partido já descartou a candidatura do senador Romário (PSB-RJ), e há quem acredite que ele deverá se desfiliar em breve. Romário foi retirado da presidência estadual da sigla após a revelação de que um de seus assessores é acusado de quatro homicídios. (Colaborou Marcelo Remígio)