Em congresso, PMDB deve elevar tom das críticas ao governo

17/11/2015 07:45

Ala do partido pode apresentar pedido para romper aliança com PT, mas isso não será votado no encontro

 

- Por O Globo

 

BRASÍLIA - Com o mote “O PMDB tem voz e não tem dono”, e depois de divulgar um documento com diretrizes econômicas para tirar o país da crise, o congresso nacional do PMDB, que será realizado em Brasília amanhã, pode se tornar um palco para o vice-presidente Michel Temer e para as alas da legenda que querem romper a aliança com a presidente Dilma Rousseff.

 

O partido é player para a sucessão presidencial, agora ou numa futura eleição — diz um aliado do vice.

 

O congresso peemedebista vai dar visibilidade ao documento intitulado “Uma ponte para o futuro”, elaborado por economistas sob a coordenação do ex-ministro Moreira Franco, presidente do Instituto Ulysses Guimarães. Quando foi divulgado, há algumas semanas, o programa econômico gerou controvérsia com parte do governo, já que propõe uma ruptura do atual modelo, apontado pelo PMDB como a origem da grave crise que o país atravessa na economia.


A ala descontente do PMDB quer também aproveitar o congresso para dinamitar a relação com o governo e o PT. Esses peemedebistas devem apresentar uma moção de rompimento da aliança, mas o efeito disso será apenas midiático, porque qualquer deliberação partidária sobre o posicionamento do partido só poderá ocorrer na convenção nacional, marcada para março do ano que vem. Porém, uma outra ala do partido, encabeçada pelos ministros que estão satisfeitos com a nova fatia de poder na Esplanada, tenta botar panos quentes e evitar que o movimento antigoverno ganhe corpo.

 

Nesse cenário de divisão, o PMDB terá ainda que administrar outra saia justa: a participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ). Ele já disse várias vezes que prefere que o partido rompa a aliança com o governo. Agora, pressionado pelas investigações da Operação Lava-Jato, também pode usar o evento para buscar apoio contra sua cassação no Conselho de Ética.

 

Temer, que é presidente da legenda, deve adotar o tom de “reunificar a sociedade que está muito dividida”, segundo Moreira Franco — que trabalha nos bastidores para viabilizar a posse do vice em caso de impedimento de Dilma. Outro integrante dessa ala, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) comandará uma sala de discussão sobre o programa econômico do partido e, no encerramento, vai apresentar o documento final com as mudanças propostas.

 

No discurso, Temer vai detalhar a crise e defender as medidas do programa do PMDB para resolver, por exemplo, a crise que tem devolvido 40 milhões de brasileiros que ascenderam à classe C a condições até piores do que enfrentavam antes. Vai ressaltar que o modelo de retomada do crescimento econômico e da capacidade de investimento do PMDB não tem nada a ver com a atual matriz econômica do governo Dilma.

 

Estão querendo nos colocar num falso dilema. Cunha e Dilma ficam se ameaçando ao redor do impeachment, os números pioram a cada dia, e, enquanto isso, o país não discute alternativas para o que aí está. Neste quadro, temos que discutir saídas para a crise. Não se trata de Michel (Temer) se colocar como “esse cara sou eu” — diz Moreira Franco.

 

Outro dirigente do PMDB, mais ligado à ala governista, diz que não há movimento para esvaziar o congresso da sigla: pelo contrário, o trabalho seria para trazer o máximo de gente possível para mostrar a vida partidária nos estados e a unidade partidária para os desafios do futuro.


É o momento para falar. É bom ter essas sessões de exorcismo, ver o que vai na alma do partido. Michel e Moreira lançaram o programa para debate na sociedade. Temos a espinha dorsal de um programa para assumir hoje ou depois de uma nova eleição. Se tiver que assumir amanhã, esse é o nosso programa — diz esse integrante da Executiva Nacional.

 

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que defende o rompimento com o governo, afirmou ao GLOBO que há uma tentativa da ala mais governista de esvaziar o congresso da legenda.

 

Como houve uma grande repercussão no lançamento do programa, os ministros não querem uma manifestação real contra o governo no congresso — avalia Geddel.

 

 


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