Eneagrama e Corrupção

03/08/2015 19:52

Por Getúlio Chaves*

Eneagrama e Corrupção

            Vivemos hoje uma grave crise política no Brasil provocada pela corrupção e a consequente falta de confiança nos representantes eleitos. De acordo com o estudo da ONG Transparência Internacional sobre corrupção, o país está em 69° lugar em um ranking de 175 nações. O país recebeu a nota 43 em uma escala que vai de zero, considerado extremamente corrupto, a 100, avaliado como muito transparente. A pesquisa foi concluída antes do auge dos escândalos da Petrobras. De todas as nações citadas, nenhuma recebeu pontuação máxima. A corrupção está presente em todas as partes do mundo, do comunismo ao capitalismo.

            Qualquer pessoa pode se tornar corrupta, desde que seu sistema de valores não esteja fortalecido com crenças que o levem a abortar qualquer indício dessa conduta. Pessoas movidas pela inveja, pela cobiça e pela necessidade de terem cada vez mais podem se tornar susceptíveis a atos moral e socialmente reprováveis, satisfazendo mais ao ego do que suas reais necessidades. Todos podem ter oportunidades de se tornarem corruptos, mas a resposta a esses estímulos será dada de acordo com a personalidade e caráter de cada um.

            O Eneagrama é um mapa de autoconhecimento, utilizado desde a Antiguidade, que apresenta nove tipos principais de personalidade, com seus distintos caminhos de evolução. Analisando as probabilidades de uma pessoa se tornar corrupta com base no Eneagrama, concluímos que cada um tem sua motivação própria.

            O eneatipo 8, por exemplo, é “justiceiro”. Se entender que tal ato ilegal é justo aos seus olhos, não hesitará em cometê-lo. Já o tipo 1 pode deixar ruir sua base moral e sucumbir diante da tentação se compreender que aquele ato é o melhor que pode ser realizado naquele momento.

            As pessoas com perfis em que se destacam vaidade, inveja e luxúria estão mais propensas a serem corruptas. Entretanto, cada eneatipo apresenta duas formas, integrada e desintegrada. Quando o eneatipo está integrado, a pessoa vaidosa age com mais prudência, prevendo as consequências morais de qualquer ato ilegal; desintegrado, anestesia-se, permitindo que os fins justifiquem os meios.

            Já quando a inveja aparece em forma desintegrada, a pessoa pode se tornar manipuladora. Se houver integração nesse caso, volta-se à justiça e equidade. No eneatipo desintegrado em que há destaque para luxúria, a pessoa pode ser dominada pela avareza, retração e segmentação; integrado, pode se tornar muito prestativa.

            A personalidade de cada pessoa é que vai determinar qual caminho ela traçará, independentemente de qual seja seu eneatipo. Mesmo as desintegradas podem rever seus critérios de vida e acabarem se integrando. Toda mudança tem que ocorrer de dentro para fora para ser autêntica. Tratando-se da mente, redescobrindo os valores universais e o próprio valor pode-se se libertar das paixões inferiores que esvaziam o ser humano de sua essência e se tornar uma pessoa melhor.

 

*Analista comportamental e professor do Eneagrama do Instituto Você

 

Fonte: Jornal Hoje em Dia - Belo Horizonte - MG