Estado Islâmico assume ataques

14/11/2015 14:24

Estado Islâmico assume responsabilidade por ataques que mataram 127 em Paris

Por Ingrid Melander e Marine Pennetier

 

 

PARIS (Reuters) - O Estado Islâmico assumiu neste sábado a responsabilidade pelos ataques coordenados de homens com armas de fogo e bombas que mataram 127 pessoas em diversos pontos de Paris, e que o presidente francês, François Hollande, disse que equivaliam a um ato de guerra contra a França.

 

No pior dos ataques, uma autoridade municipal de Paris afirmou que quatro homens assassinaram a tiros de forma sistemática pelo menos 87 jovens numa apresentação de rock na casa de shows Bataclan, antes de policiais antiterroristas lançarem um ataque ao prédio.

 

Dezenas de sobreviventes foram resgatados, e corpos ainda eram recuperados na manhã deste sábado. 

 

Cerca de 40 pessoas foram mortas em cinco outros ataques na região de Paris, afirmou a autoridade, incluindo um aparente duplo atentado suicida a bomba do lado de fora do estádio nacional Stade de France, onde Hollande e o ministro do Exterior alemão assistiam a um jogo amistoso internacional de futebol.

 

Os ataques se deram em um momento em que a França, integrante fundadora da coalizão liderada pelos Estados Unidos que realiza ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, estava em estado de alto alerta para ataques terroristas.

 

Essa foi a pior ação desse tipo na Europa desde os ataques a bomba aos trens de Madri em 2004, quando 191 pessoas morreram.

 

Hollande afirmou que as ações haviam sido organizadas no exterior pelos "bárbaros" do Estado Islâmico, com ajuda interna. Fontes próximas à investigação disseram que um passaporte sírio foi encontrado perto do corpo de um dos homens-bomba e que um dos atiradores da casa noturna tinha nacionalidade francesa.

 

"Diante da guerra, um país precisa tomar a ação apropriada", afirmou Hollande depois de uma reunião de emergência com autoridades de segurança. Ele também anunciou três dias de luto nacional.

 

Durante visita a Viena, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou que "nós estamos testemunhando a um tipo de fascismo moderno e medieval ao mesmo tempo".

 

Ao assumir a responsabilidade pela ação, o Estado Islâmico disse que os ataques eram uma resposta à campanha da França contra os seus combatentes.

 

O grupo também distribuiu um vídeo sem data no qual um militante afirma que a França não viveria de forma pacífica enquanto participasse do bombardeio liderado pelos EUA.

 

"Enquanto você continuar bombardeando, você não vai viver em paz. Você vai ter medo até de ir ao mercado", disse o militante em árabe, acompanhado de outros combatentes.

 

Uma fonte do governo francês afirmou à Reuters que havia 127 mortos, 67 pessoas em estado crítico e 116 feridos. Seis agressores se explodiram e um foi morto pela polícia. Pode ter havido um oitavo agressor, mas isso não foi confirmado.

 

Depois de ser retirado do estádio próximo das explosões, Hollande declarou estado nacional de emergência, o primeiro desde a Segunda Guerra Mundial. Controles de fronteiras foram temporariamente impostos, para impedir a fuga de responsáveis.

 

Eventos esportivos locais foram suspensos, lojas fechadas, a banda U2 cancelou um show, e escolas, universidades e prédios municipais receberam ordens para ficarem fechados neste sábado. Alguns serviços aéreos e de trem deveriam funcionar.

 

 

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