Ficou para depois - CELSO MING

15/07/2016 08:57
ESTADÃO - 15/07
 
O IBC-Br de maio veio ruim demais e despejou água fria no caldeirão que já vinha demorando para esquentar
 
Aquela expectativa de que os primeiros sinais da retomada atividade econômica estavam para se manifestar está ficando para depois, sabe-se lá para quando, talvez para agosto. O IBC-Br de maio veio ruim demais e despejou água fria no caldeirão que já vinha demorando para esquentar.
 
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, nome e sobrenome do IBC-Br, é o indicador criado em 2010 pelo Banco Central para antecipar o comportamento das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE, as mesmas que apontam o PIB de cada trimestre. É que o PIB só é conhecido cerca de dois meses após o fechamento de um trimestre e a economia precisa trabalhar com informações mais quentes. Daí o IBC-Br, que o Banco Central divulga todos os meses, com informações provisórias e sempre sujeitas à revisão.
Os números de maio vieram decepcionantes. Apontaram, na série submetida a ajuste sazonal, para uma queda da atividade econômica de 0,51% em relação a abril. A marcha à ré da renda nacional (já descontada a inflação), apenas nos primeiros cinco meses do ano, é de 5,79% e nos últimos 12 meses acumula retração de 5,43%, ambos sem o ajuste sazonal.
 
Outros números de maio divulgados por outros institutos de aferição da economia, inclusive os do IBGE, como os da produção industrial, os das vendas ao varejo e o desempenho do setor de serviços, já vinham apontando para a continuação da fase ruim, que vem desde 2014. Mas ninguém esperava que fosse tão longe.
 
Esses números do IBC-Br sugerem que o segundo trimestre deste ano também foi de forte recessão e que uma recuperação vai sendo empurrada para o segundo semestre.
 
Para o bem ou para o mal, algumas razões vão criando a expectativa de que o mês crucial da atividade econômica poderá ser agosto. E isso nada terá a ver com os Jogos Olímpicos. É o mês em que o Senado terá de decidir se a presidente Dilma continua morando no Palácio da Alvorada ou se vai definitivamente para casa. É, por isso, o ponto a partir do qual ficará definida a natureza da política econômica que prevalecerá até 2019. Em agosto, o Congresso terá de dar melhores indicações sobre o futuro do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que determina os limites para expansão da despesa pública à inflação passada. E será, também, o mês em que o governo Temer terá de apontar com mais precisão como será a política fiscal e de onde obterá os recursos necessários para fechar o Orçamento da União de 2017.
 
A partir daí, deslancharão – ou não – os novos programas de desenvolvimento, o cronograma de leilões de concessão de serviços públicos e de privatização e a abertura do mercado de produção de petróleo. E se saberá qual será o nível de confiança dos agentes econômicos internos na política econômica adotada e até que ponto os investidores estrangeiros acreditarão na capacidade do governo brasileiro de resolver os problemas que há tanto tempo não param de acumular. Façam suas apostas, senhores.
 
CONFIRA:
Esta é a evolução das cotações do dólar no câmbio interno em julho.
 
Mais confiança
 
Apesar da volatilidade, o dólar acentuou queda no câmbio interno, a despeito das intervenções do Banco Central. A nova direção já realizou nove leilões de swap reverso (equivalentes a venda futura de dólares), de cerca de meio bilhão de dólares por vez. Este é um indicador de que há mais otimismo. Reflete, também, o enfraquecimento da moeda estrangeira por causa da baixa disposição dos grandes bancos centrais de elevar os juros, hoje negativos.
Esta é a evolução das cotações do dólar no câmbio interno em julho.
 
Mais confiança
 
Apesar da volatilidade, o dólar acentuou queda no câmbio interno, a despeito das intervenções do Banco Central. A nova direção já realizou nove leilões de swap reverso (equivalentes a venda futura de dólares), de cerca de meio bilhão de dólares por vez. Este é um indicador de que há mais otimismo. Reflete, também, o enfraquecimento da moeda estrangeira por causa da baixa disposição dos grandes bancos centrais de elevar os juros, hoje negativos.