Governo caça infiéis por uma base mais forte

10/12/2015 08:25

Bruno Moreno e Ezequiel Fagundes - Hoje em Dia

Parlamentares da base governista tentam descobrir quem são os “infiéis” que contribuíram para a primeira derrota de Dilma Rousseff (PT) na batalha contra o impeachment, na Câmara dos Deputados, na terça-feira (8), quando, em votação secreta, a oposição conquistou a Comissão Especial de Impeachment. O objetivo seria expô-los para que mantenham as orientações dos partidos aliados, e votem com o governo contra a derrubada da presidente. Os aliados estão mapeando o resultado da tumultuada votação.

Para o deputado federal Wadson Ribeiro (PCdoB), o governo trabalha para se reaproximar dos parlamentares “rebeldes”, com a possibilidade de ter de 220 a 230 votos caso a tese do impeachment seja aprovada na comissão especial e siga ao plenário. Esse placar livraria Dilma do impeachment.

Isso a gente consegue diminuindo as defecções do PMDB, PSD, PR e PP, que são partidos que integram formalmente a base do governo, ocupam ministérios, mas que não têm votado integralmente com o governo”, avalia.

A chapa da oposição venceu a disputa com 272 votos a favor, contra os 199 votos governistas. Após o anúncio do resultado, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão liminar, suspendeu a formação e a instalação da comissão especial. A decisão foi tomada a pedido do PCdoB.

Traição

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) criticou a metodologia da votação, que atrapalhou as articulações do governo. “O que foi feito foi um absurdo. A votação secreta é inconstitucional e deve cair”.

Já a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) avalia que o voto secreto, abre a porta para a infidelidade. “Por tradição, voto secreto é marcadamente o voto da traição. Tanto é que a sociedade insistiu que as votações fossem abertas para que as pessoas assumam convicções e compromissos. Mas isso não ocorreu”.

A deputada avalia que a derrota do governo ocorreu, também, por falta de coesão das lideranças partidárias. “Predomina uma hegemonia conquistada pela presidência da casa, de Eduardo Cunha (PMDB), que construiu influencias num número grande de deputados”.