Governo minimiza reprovação de 67% no Datafolha

30/11/2015 12:10

Por Assis Moreira – Valor Econômico

 

PARIS - O entorno da presidente Dilma Rousseff em Paris comemorou em Paris o fato de a pesquisa do instituto Datafolha publicada ontem ter apontado que agora 67% das pessoas consideram o governo dela ruim ou péssimo, comparado a 71% na pesquisa anterior.

 

"Não foi tão ruim assim, é uma vitória", disse um importante assessor, refletindo a reação na comitiva. Manchetes de jornais brasileiros, apontando o avanço das investigações da Operação Lava-Jato em direção do Palácio do Planalto, continuam a ser monitoradas de perto.


Mas na delegação a informação é de que Dilma não ficou em permanente contato com o Brasil desde que chegou a Paris no sábado à tarde e entrou no hotel pela garagem, enquanto jornalistas a aguardavam na entrada do elegante Hotel Bristol.

A versão é de que Dilma se concentrou na Conferência do Clima, em Paris, o que é visto como "uma forma de lidar com essas pressões também"', em referência aos problemas políticos e econômicos que o governo enfrenta no Brasil.

 

Por sua vez, o assessor internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, afirmou no sábado, na chegada à capital francesa, que a crise politica atual não é o momento de maior pressão desde que o PT chegou ao poder, mas reflete um problema com o presidencialismo de coalizão.

 

"Não, é um momento difícil para a política no Brasil, e afetando a política afeta o PT", afirmou Garcia, ao ser indagado sobre se esta seria a maior pressão sobre o governo. "Mas não existe grande alternativa política no Brasil. Tem um país onde tem uma crise política. Eu acho que o sistema político no seu conjunto está muito afetado", acrescentou.

 

Ao ser perguntado se faltavam líderes, o assessor de Dilma e integrante da direção nacional do PT respondeu: "Não é que não tenha líderes, eles podem até existir. O que não tenho visto são alternativas, e o problema é saber como superar problemas estruturais, o Brasil tem problemas estruturais".

 

E acrescentou: "Você acha que com o presidencialismo de coalizão como o qual estamos trabalhando há algum tempo a gente vai longe? Eu acho que não vai. Eu não sou contra a multiplicidade de partidos, e sim contra as razões que tem levado a essa multiplicidade. Quais são os partidos que tem identidade efetivamente? Poucos", disse.