Histeria Coletiva - Editorial Diário do Povo

20/09/2017 16:20
HISTERIA COLETIVA
 
Editorial do Jornal Diário do Povo 
 
Quando várias pessoas sofrem sintomas semelhantes e inexplicável - doença ou evento - diz-se que há uma histeria coletiva. Ontem, o secretário de Justiça do Governo do Estado assinou e divulgou um regulamento pelo qual, para ter acesso a ele e ao gabinete da Secretaria, o interlocutor deve cumprir uma série de regras, entre elas, deixar do lado de fora o telefone celular e aparelhos eletrônicos como filmadoras e gravadores. Exige que a conversa tratada com ele seja rápida e objetiva, e que não seja tratado assuntos ilícitos.
 
A medida é tão esdrúxula quanto desnecessária. É quase uma histeria.
 
Em meio às delações que os correligionários do secretário Daniel Oliveira sofrem em nível nacional, e a divulgação de gravações em todas as esferas, não há outra classificação à atitude de Daniel senão uma espécie de histeria, por enquanto, isolada em sua secretaria, mas que não duvidemos, contamine outros secretários do Governo Wellington Dias e estes proíbam que pessoas em seus gabinetes portem celulares, tablets e câmeras filmadoras.
 
O que poderia ser conversado dentro de um ambiente público que não fosse passivo de publicação? O que justifica essa medida de um secretário de Estado, advogado e gestor justamente da pasta de Justiça? "Medida de segurança", justificou Daniel Oliveira à imprensa. Mas, pode haver algo mais profundo nessa questão.
 
Recentemente, o Brasil descobriu que o empresário Joesley Batista havia gravado, desde o presidente da República até a si mesmo em conversa com o seu executivo Ricardo Saud. O homem mantinha relações e atitudes que de republicanas não tinham nada. Se uma autoridade não trata conversas ilícitas, qual o receio de que as mesmas sejam gravadas por alguém? O que acontece nos gabinetes do Governo do Piauí que não suporte a gravação dos diálogos?
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Secretário de Justiça do Governo do Estado do Piauí - Daniel Oliveira
 
Até hoje, passando pelo período Militar, nenhum secretário de Estado do Piauí tomou a medida de mandar vistoriar aqueles que se dispunham visitá-los e seu gabinete. Foi isso que Daniel Oliveira determinou: " O acesso ao gabinete do secretário se dará por vistoria e conferências do presente regulamento", diz o início do texto das "Regras para audiência com o Secretário de Justiça".
 
Chama atenção o item que diz "vedado qualquer diálogo sugestivo de ilicitude, sob pena de prisão". Ora, ilicitudes tratadas com agentes públicos, é crime previsto na lei brasileira, reiterar isso em um "regulamento", deixa as seguintes dúvidas: Daniel Oliveira foi abordado nesse sentido por alguém? Se foi, que providências ele tomou? Se não, por que coloca isso como regra para diálogos com ele ?
 
Porém, de todas as regras impostas, e que num ambiente republicano não precisaria essa imposição, a mais marcante é a que diz: "Fica vedado o uso ou adentrar no Gabinete do Secretário de Justiça portando Aparelho Telefônico, ou qualquer outro aparelho eletrônico tais como: gravador, mp3, mp4, câmeras fotográficas, tablet, laptop, etc, sob pena de sanções previstas em lei".
 
Parece que este governo inaugura uma nova era no Piauí: da censura e das intimidações. Que conversas são essas que não resistem a um telefone celular? Que medo é esse de ser gravado?
 
A bem da verdade, da probidade e da transparência, em órgãos públicos, nas audiências com autoridades, todas as conversas deveriam ser gravadas e tornadas públicas pelo próprio Estado, salvo aqueles que coloquem em risco a segurança e a ordem. Afinal, tudo deveria ser público num ambiente sustentado pelo dinheiro do povo.
 
 
Fonte: Jornal Impresso - Jornal Diário do Povo do Piauí
Edição, quarta-feira, 20 de setembro de 2017
 
 

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