Papa: São tempos de misericórdia e inclusão

25/10/2015 22:47

Homilia do Papa: "São tempos de misericórdia e inclusão"

Cidade do Vaticano (RV) – Depois de 3 semanas de trabalhos no Vaticano, chegou ao fim o Sínodo dos Bispos sobre a “Vocação e a Missão da Família na Igreja e na Sociedade Contemporânea”. Na conclusão do encontro, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro uma celebração eucarística, com a presença dos padres sinodais.

A primeira leitura do dia apresenta o profeta Jeremias que, em pleno desastre nacional, anuncia que “o Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel”. Já o Evangelho deste domingo (25/10) apresenta o episódio do cego Bartimeu.  

Em sua homilia, Francisco relaciona as duas passagens: “assim como o povo de Israel foi libertado graças à paternidade de Deus, Bartimeu foi libertado graças à compaixão de Jesus.” Jesus deixa-se comover e responde ao grito de Bartimeu:

Jesus acaba de sair de Jericó. Mas Ele, apesar de ter apenas iniciado o caminho mais importante, o caminho para Jerusalém, detém-Se ainda para responder ao grito de Bartimeu. Deixa-Se comover pelo seu pedido, interessa-Se pela sua situação. Não Se contenta em dar-lhe uma esmola, mas quer encontrá-lo pessoalmente. Não lhe dá instruções nem respostas, mas faz uma pergunta: ‘Que queres que te faça?’ (Mc 10, 51). Com esta pergunta feita ‘face a face’, direta mas respeitosa, Jesus manifesta que quer escutar as nossas necessidades”, explicou. 

A este ponto, o Pontífice fez uma observação ressaltando um “detalhe interessante”: Jesus pede aos seus discípulos que chamem Bartimeu e estes dirigem-se ao cego usando duas palavras, que só Jesus utiliza no resto do Evangelho: ‘coragem’ e ‘levanta-te’ – palavras de misericórdia, salientou o Papa.

A isto são chamados os discípulos de Jesus, também hoje, especialmente hoje: pôr o homem em contato com a Misericórdia compassiva que salva. Quando o grito da humanidade se torna, como o de Bartimeu, ainda mais forte, não há outra resposta senão adotar as palavras de Jesus e, sobretudo, imitar o seu coração. As situações de miséria e de conflitos são para Deus ocasiões de misericórdia. Hoje é tempo de misericórdia!”.

Prosseguindo, o Papa lembrou que há algumas tentações para quem segue Jesus e o Evangelho evidencia pelo menos duas. A primeira é viver uma “espiritualidade de miragem”, não parar, ser surdo, “estarmos com Jesus” mas “não sermos como Jesus”, estar no seu grupo mas viver longe do seu coração:

Podemos falar Dele e trabalhar para Ele, mas viver longe do seu coração, que Se inclina para quem está ferido. Esta é a tentação duma “espiritualidade da miragem”: caminhar através dos desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós gostaríamos de ver; construir visões do mundo sem aceitar aquilo que o Senhor nos coloca diante dos olhos. Uma fé que não sabe se radicar na vida das pessoas permanece árida e, em vez de oásis, cria outros desertos”.

Há uma segunda tentação – assegurou o Papa – é a de cair numa “fé de tabela”.

Caminhar com o povo de Deus, mas tendo já a nossa tabela de marcha, onde tudo está previsto: sabemos aonde ir e quanto tempo gastar; todos devem respeitar os nossos ritmos e qualquer inconveniente nos perturba. Corremos o risco de nos tornarmos como “muitos” do Evangelho que perderam a paciência e repreenderam Bartimeu. O risco de excluir quem incomoda ou não está à altura, enquanto Jesus quer incluir, sobretudo quem está relegado para a margem e grita por Ele”.  

Concluindo a homilia, o Papa lembrou que Bartimeu pôs-se a seguir Jesus ao longo da estrada. Não só recuperou a vista, mas se uniu à comunidade daqueles que caminhavam com Jesus. Francisco agradeceu os padres sinodais e os convidou a continuarem a percorrer o caminho que o Senhor deseja sem se deixarem ofuscar pelo pessimismo e pelo pecado.

 


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