Igreja vai ao encontro também na web

22/12/2015 21:22

20 anos do vatican.va: Igreja vai ao encontro dos homens também na web

Cidade do Vaticano (RV) –  Em 25 de dezembro de 1995 o Papa João Paulo II inaugurava a presença do Vaticano no mundo digital com a abertura do site vatican.va. Um gesto profético, se considerarmos que na época a web ainda não desfrutava de um desenvolvimento como observado atualmente, também com o surgimento das redes sociais. Sobre o significado deste aniversário e a importância da presença da Igreja no mundo digital, a Rádio Vaticano entrevistou o Padre Lucio Adrian Ruiz, responsável pelo Serviço Internet Vaticano e Secretário da Secretaria de Comunicação, instituída pelo Papa em 27 de junho passado:

A grande celebração para nós dos 20 anos do vatican.va é justamente isto: Internet e o World Wide Web, que todos conhecemos, nesta modalidade social, que nasceu precisamente naquela época. É um processo que não tem uma data de início precisa, mas naquele período foram dados os primeiros passos do World Wide Web. Foi uma “profecia” de João Paulo II: ao nascer de uma realidade cultural nova, a Igreja está presente. E esta presença é a verdadeira beleza destes pontos históricos assim fortes. A Igreja lê os sinais dos tempos, os compreende e caminha como Jesus no Natal. A ligação é muito bonita: no 25 de dezembro, Jesus que se faz história, se faz cultura que caminha com o homem e a Igreja caminha com o homem, na cultura. Portanto, entender que esta é uma realidade importante, criar um setor, uma página web, mesmo humilde e pequena, porque nasce simplesmente com a saudação e com a Bênção Urbi et Orbi do Santo Padre – portanto, uma coisa muito pequena – que porém faz a diferença, como que para dizer: “Estamos aqui!”. A Igreja entendeu a história, lê os sinais dos tempos, se faz presente e acompanha a humanidade”.

RV: No último documento de João Paulo II antes da morte, “O Rápido desenvolvimento”, lê-se que o fenômeno das comunicações sociais e a Internet, em particular, “impelem a Igreja a uma espécie de revisão pastoral e cultural”. Que passos poderiam ser dados, além daqueles realizados neste caminho indicado por Karol Wojtyla?

Acredito que existam dois eixos importantes, um evidenciado pelo próprio João Paulo II. O seu lema diz: “Não tenham medo! Abram, antes, escancarem...” e outro, o de Papa Francisco com: “Abram as portas da Igreja e sigam, sigam em direção ao outros”. Portanto, o caminho pastoral é justamente este: não ter medo desta cultura, desta realidade que se apresenta em atitude de desafio, sempre dinâmica; isto pode causar um pouco de medo a todos, não? O que é? Como se movimenta? Todos os dias nos encontramos com uma realidade diferente, nova, que alguém deve aprender, que muda... Portanto não ter medo desta realidade. A outra é aquela do Papa Francisco que nos impele a ir: “Prefiro uma Igreja que cai, que se fere porque vai ao encontro dos outros, antes que uma Igreja doente porque permanece fechada em si mesma”. O fato de andar, percorrer este caminho digital, deve impelir a Igreja a entrar neste mundo, sobretudo onde se encontram as novas gerações, portanto, um caminho missionário como pastoral: a missão, o andar”.

RV: Nestes 20 anos, sempre mais o Magistério da Igreja e dos Papa, em particular, tem tratado da realidade da internet. Se pode encontrar uma palavra chave, um tema específico que sintetize de alguma forma o significado desta presença?

A ternura! A palavra que o Papa Francisco repete sempre é ternura. É um grande desafio, porque o ambiente digital poderia ser entendido como máquina, fios, realidades tecnológicas. Pelo contrário, é realidade de pessoas e portanto, a palavra chave que deve sintetizar todo o sentido da presença da Igreja é a ternura: levar a todos, ser para todos, um veículo da ternura de Deus, da Igreja e da nossa própria ternura em relação aos outros, descobrir os ambientes, onde e como se pode exprimir esta ternura e fazer ligações – Network, precisamente, Rede – entre as pessoas para transmitir este aspecto muito ausente na cultura contemporânea que é a ternura”.

RV: Nos últimos anos, as redes sociais acabaram transformando a internet de instrumento em lugar. O que um cristão poderia oferecer a estes novos “ambientes”, seguindo também o exemplo dos últimos três Pontífices e, em particular, o Papa Francisco?

Se falamos em lugar, então falamos de encontro! Portanto, o que nós podemos levar? Como transformar este lugar onde as pessoas se encontram realmente em uma maneira diferente, digital. Se observamos os jovens, vemos que estão em relação entre eles, se comunicam, compartilham imagens, vídeos, uma palavra, um pensamento, uma mensagem... Estão se comunicando entre eles, estão transmitindo afetos, pensamentos, critérios de vida. Por isto o que devemos fazer com este instrumento é gerar encontro, que as pessoas possam entender que sendo um lugar, as pessoas devem se encontrar e se as pessoas se encontram, devem se encontrar também com Deus. Portanto, como Igreja, o desafio  está nisto: entender que é um lugar e portanto entender que devemos gerar um encontro com os outros e com Deus!”.

RV: “Internet é um dom de Deus”, escreveu o Papa Francisco em sua primeira mensagem para as comunicações sociais. Como se pode viver, portanto, o Jubileu da Misericórdia também com este dom, com Internet e, em particular, nas redes sociais?

Justamente se falamos desta realidade digital como de uma outra dimensão, uma outra maneira de viver a nossa humanidade, o desenvolvimento da vida cristã deve seguir o ritmo do desenvolvimento da vida normal, portanto, a pastoral, a caridade, devem encontrar nas redes sociais, na realidade, um espaço para um desenvolvimento que tenha uma linguagem própria, porque não é simplesmente uma passagem de um meio para outro, de uma maneira para outra. Existe uma maneira própria para expressar-se. Assim, ajudando os outros, com atos de ajuda concreta, a distribuição da mensagem existe! Ajudar as pessoas a conhecer esta misericórdia, este perdão. Vemos como, com as redes sociais, se pode realmente chegar a tantos que não tinham ideia de que Deus perdoa o pecado, acolhe com misericórdia e ternura quem está afastado. É realmente uma possibilidade, por isto é um dom de Deus. Nós podemos falar da misericórdia, da ternura do Pai em todos os lugares e com gestos concretos poder individuar e fazer “cadeias de caridade”, de ternura, de ajudar para envolver os esforços de amor por quem tem necessidade. A internet, em todas as suas versões e tecnologias, nos permite fazer verdadeiramente uma rede humana que deve ser cristã e de amor e de misericórdia para levar o amor do Pai até os extremos confins da terra”.


 


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!