Impeachment perdeu força e fica para 2016, disse Cunha a peemedebistas

19/11/2015 08:16

Débora Álvares, Ranier Bragon – Folha de S. Paulo

 

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse a deputados da bancada do PMDB que a possibilidade de deflagração de um processo de impeachment contra Dilma Rousseff perdeu força e ficará para 2016, no mínimo.

 

A posição foi repassada aos peemedebistas em jantar na casa do presidente da Câmara na quarta-feira da semana passada (11), mesmo dia em que o oposicionista PSDB formalizou publicamente o rompimento com Cunha.

 

Segundo declarações de deputados que participaram do jantar, todos favoráveis ao impeachment de Dilma, Cunha disse que não irá se posicionar sobre os principais pedidos de afastamento da petista neste ano, diferentemente do que vinha afirmando até então –ele dizia que tomaria uma decisão ainda em novembro.

 

"Ele disse ter a impressão de que a possibilidade de impeachment perdeu força, que não há nesse momento apoiamento popular, embora o ocorrido nas contas da Dilma [o Tribunal de Contas da União rejeitou a contabilidade de 2014] sejam fato para levar o impeachment adiante", afirmou o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), aliado de Cunha e que participou do jantar.


Segundo o deputado do PMDB do Maranhão, Cunha condicionou a possibilidade de deferir um pedido de impeachment somente se o Congresso ratificar a decisão do TCU pela rejeição das contas de Dilma. "Se isso acontecer, ele disse que a deflagração do impeachment volta à tona com toda a força, mas que neste ano não há a menor possibilidade de isso acontecer", completou Rocha.

 

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) fez outra avaliação da fala de Cunha durante o jantar. "Para mim, ele não pensa mais nisso de forma alguma. Se decepcionou com o PSDB, que não sabe de que lado fica e agora precisa estar com o governo".

 

Acusado de integrar o esquema de corrupção da Petrobras e respondendo a um processo de cassação, Cunha vinha se equilibrando entre oposição e governo na tentativa de angaria apoio para salvar seu mandato. Usa, para isso, a prerrogativa que tem de decidir, monocraticamente, sobre a sequencia ou não de pedidos de impeachment contra Dilma.

 

Na última semana, ficou clara uma inclinação em direção ao governo após o rompimento anunciado pelo PSDB, para quem é inconsistente a defesa que ele apresentou para explicar o patrimônio milionário que ocultou em contas na Suíça.

 

Há hoje na Câmara 10 pedidos de impeachment contra Dilma. O principal é o assinado pelos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, documento que é chancelado pela oposição e por movimentos de rua anti-Dilma. Cunha vinha dizendo que iria decidir sobre esse pedido ainda em novembro.

 

Procurado pela reportagem, Cunha não quis se manifestar.

 

 

 


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