Indústria pede ação do governo

25/08/2015 00:23

Indústria pede ação do governo

Editorial
Jornal Hoje em Dia – Belo Horizonte – Minas Gerais

Os empresários mineiros estão perdendo a paciência com o imobilismo das autoridades públicas diante da grave crise econômica. Ao contrário da Firjan e da Fiesp, federações das indústrias do Rio de Janeiro e de São Paulo, que emitiram nota conjunta, dias antes das manifestações do dia 16, em tom de conciliação, pedindo que ser preserve “a estabilidade institucional do Brasil”, a mineira Fiemg elevou o tom. O presidente da entidade, Olavo Machado Júnior, tem dito que é hora de “dar um basta a líderes políticos que não estão à altura” do país.

Não é, oficialmente, uma posição favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas são palavras fortes. Há também um apoio, mesmo que velado, ao vice-presidente, Michel Temer, que disse recentemente que “é preciso pensar no país acima dos partidos, acima do governo”. Entretanto, o ponto em que todas as lideranças industriais mineiras concordam é de que algo precisa ser feito para que o país saia da inércia.

Os números impressionam. Conforme reportagem nesta edição, o faturamento real da indústria mineira no geral caiu 14,93% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2014. O setor que produz máquinas e equipamentos lidera em perdas, com a expressiva marca de 54% a menor no faturamento. A indústria automotiva teve recuo de 30% e o setor de vestuário e acessórios, de 29%.

As indústrias da construção civil e pesada adotam um tom mais direto e incisivo contra o governo. Os líderes dos sindicatos dos dois setores, Sinduscon e Sicepot, reclamam da inexistência de ações para superação da crise. Pelo tamanho da interferência do Estado na economia, não há como fugir da necessidade de ações governamentais para superação da crise. As duas áreas são bastante dependentes de obras públicas, que não estão surgindo.

A consequência maior é o desemprego, sobretudo de trabalhadores com pouco estudo e qualificação. É uma mão de obra que fica bastante fragilizada nesse período de incertezas. Segundo números do Ministério do Trabalho, pelo menos 48% da perda total de empregos no país vem desses setores.

Enfim, medidas têm que ser tomadas. Mas, com um governo federal que a cada dia perde mais apoios no Congresso e tem a operação “Lava Jato” rondando seus quadros, parece que a solução vai demorar.

 

Fonte: Jornal Hoje em Dia

 


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