Invasão de militantes islâmicos em hotel do Mali deixa ao menos 27 mortos

21/11/2015 00:48

Invasão de militantes islâmicos em hotel do Mali deixa ao menos 27 mortos

Soldados franceses deixam hotel Radisson, que foi alvo de ataques, em Bamako. 20/11/2015. REUTERS/Joe Penney
 

Por Tiemoko Diallo

 

BAMAKO (Reuters) - Pelo menos 27 pessoas foram dadas como mortas nesta sexta-feira depois que forças de segurança do Mali invadiram um hotel tomado por islâmicos armados para resgatarem 170 pessoas, muitas delas estrangeiras, presas no edifício.

 

O grupo jihadista Al Mourabitoun, aliado da Al Qaeda e sediado no norte desértico da ex-colônia francesa, assumiu a responsabilidade pelo ataque. O Mali vem combatendo rebeldes islâmicos há anos.

 

Mais de sete horas após a incursão inicial, uma fonte de segurança declarou o encerramento do drama, que ainda incluiu a morte de dois militantes.

 

Uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que tropas pacificadoras que empreenderam buscas no hotel fizeram uma contagem preliminar de 27 corpos.

 

A televisão estatal mostrou soldados brandindo rifles de assalto AK47 no saguão do Radisson Blu, um dos hotéis mais requintados da capital Bamako e um dos preferidos dos visitantes estrangeiros. Um corpo jazia sob um cobertor marrom no fim de um lance de escadas.

 

As tropas pacificadoras viram 12 cadáveres no subsolo do hotel e outros 15 no segundo andar, disse o funcionário da ONU à Reuters sob condição de anonimato. Ele acrescentou que as tropas da ONU ainda auxiliam as autoridades do país a fazerem buscas no hotel.

Um homem que trabalha para um parlamento regional da Bélgica está entre os mortos, informou a legislatura.

 

O ministro da Segurança Interna, coronel Salif Traoré, afirmou que os agressores romperam uma barreira de segurança às 7h do horário local, cobrindo a área de tiros e gritando "Allahu Akbar", "Deus é grande", em árabe.

 

Os ataques são uma afronta à França, que mantém 3.500 soldados no norte do Mali para tentar restaurar a estabilidade depois de uma rebelião de tuaregues em 2012 que mais tarde foi absolvida por militantes da Al Qaeda.

 

DISPAROS

 

Sequências de disparos foram ouvidas enquanto os agressores percorriam o hotel de quarto em quarto e andar por andar, relataram uma fonte de segurança de alto escalão e uma testemunha à Reuters.

 

Algumas pessoas foram libertadas pelos atiradores depois de provarem que sabiam recitar versos do Corão, e outras conseguiram escapar ou foram retiradas pelas forças de segurança.

 

Um dos reféns resgatados, o famoso cantor guineano Sékouba "Bambino" Diabate, disse ter entreouvido dois dos terroristas falando em inglês enquanto revistavam um quarto adjacente.

 

"Ouvimos tiros vindos da área da recepção. Não ousei sair do meu quarto, porque parecia que não eram simples pistolas --eram disparos de armas militares", afirmou Diabate à Reuters por telefone.

 

A invasão do hotel, que fica em uma região próxima de ministérios do governo e instalações diplomáticas, ocorreu uma semana depois de militantes do Estado Islâmico matarem cerca de 130 pessoas em Paris, despertando o temor de que cidadãos franceses, em especial, estejam sendo visados.

Doze tripulantes da Air France estavam no hotel, mas todos foram retirados ilesos, informou a empresa aérea.

 

Uma autoridade turca afirmou que cinco de sete tripulantes da Turkish Airlines também conseguiram fugir. A agência estatal de notícia chinesa Xinhua declarou que sete de 10 turistas de seu país presos no hotel foram libertados.

 

VOLTA DO PRESIDENTE

O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, encurtou sua presença em uma cúpula regional no Chade, segundo informou seu escritório.

 

Uma fonte de segurança disse que até 10 homens armados invadiram o hotel, embora o Rezidor Group, a empresa que o administra, tenha declarado que só havia dois agressores.

 

O Al Mourabitoun já assumiu vários atentados, incluindo um ataque a um hotel na cidade de Sevare, 600 quilômetros a nordeste de Bamako, em agosto, durante o qual 17 pessoas, incluindo cinco funcionários da ONU, foram mortas.

 

Um de seus líderes é Mokhtar Belmokhtar, responsabilizado por um ataque de larga escala a um campo de gás argelino em 2013 e uma figura de destaque entre os insurgentes do norte da África.

 

Na esteira do massacre em Paris, um militante do Estado Islâmico na Síria disse à Reuters que a organização vê a intervenção militar francesa no Mali como mais uma razão para agredir a França e representações do país em todo o mundo.


"Isto é só o começo. Tampouco esquecemos o que aconteceu no Mali", garantiu o combatente, que não é sírio e com quem a Reuters fez contato pela Internet. "A amargura causada no Mali, a arrogância dos franceses, não serão esquecidos em absoluto."


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