Levy não vê necessidade de aporte de recursos imediato na Petrobras

21/11/2015 00:53

Levy não vê necessidade de aporte de recursos imediato na Petrobras

Por Rory Carroll

Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. 04/11/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino
 

HALF MOON BAY, Califórnia (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta sexta-feira que não vê necessidade imediata de um aporte de capital na Petrobras, embora não tenha descartado que isso venha a ocorrer no futuro, afirmando que a estatal tem dinheiro para uma quantidade de tempo razoável.

 

Segundo ele, há uma série de aspectos que precisam ser levados em conta antes de se considerar uma injeção de recursos na petroleira brasileira, uma das empresas mais endividadas do mundo.

 

Os comentários de Levy, feitos nos bastidores de uma conferência sobre infraestrutura na região de San Francisco, foram feitos após reportagens na imprensa brasileira de que haveria discussões preliminares para um socorro da União à Petrobras nos moldes de operações feitas com bancos públicos nos últimos anos, com o uso de instrumentos híbridos de capital e dívida.

 

"O mais importante sobre a Petrobras é que a companhia está tomando medidas para enfrentar seus desafios", afirmou Levy, citando a estratégia de desinvestimentos, a revisão de contratos e a disciplina de custos.

 

"Eles têm dinheiro suficiente para trabalhar. O Brasil está no meio de uma consolidação fiscal. Estamos no meio de políticas que realmente estão fortalecendo cada área do setor público. Neste momento, eu não vejo necessidade imediata para isso (injeção de capital na Petrobras)", disse Levy.

 

"É claro que o governo pode sempre agir como o acionista controlador. Mas não devemos buscar soluções fáceis. Temos restrições orçamentárias... É algo que você precisa evitar neste momento", prosseguiu.

Perguntado quando um aporte de recursos na Petrobras seria necessário, ele disse que isso depende dos acontecimentos e que não há razão para especular sobre o assunto.

A Petrobras encerrou setembro com dívida bruta próxima a 130 bilhões de dólares.

 

A empresa, no epicentro do escândalo bilionário de corrupção investigado pela operação Lava Jato, terminou o terceiro trimestre com cerca de 26 bilhões de dólares em caixa e prevê acabar 2015 com cerca de 22 bilhões de dólares em disponibilidades.

 

O diretor financeiro da petroleira, Ivan Monteiro, disse em 12 de novembro que a companhia tem privilegiado manter um nível de liquidez bastante elevado, da ordem de mais de 20 bilhões de dólares em caixa, e que continuará a fazer isso.

 

 

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