Lula depõe à PF em inquérito sobre suposta venda de MPs

07/01/2016 09:31

Operação Zelotes investiga pagamentos de propina para beneficiar setor automobilístico

- O Globo

 

-BRASÍLIA- O ex-presidente Lula prestou depoimento ontem à Polícia Federal. Ele foi ouvido no inquérito da Operação Zelotes que investiga uma suposta compra de medidas provisórias em benefício do setor automobilístico. O mesmo inquérito apura os pagamentos feitos à empresa de consultoria de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente. O depoimento foi marcado inicialmente para dezembro, mas foi reagendado para ontem.

 

O pedido para ouvir Lula partiu do delegado da PF Marlon Cajado, que conduz as investigações. O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília não participou da oitiva, mas formulou perguntas e encaminhou ao delegado. O cerne dos questionamentos foi a suposta negociação envolvendo três medidas provisórias. Já foram ouvidos nesse inquérito o filho de Lula e a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

 

Em 30 de novembro, o MPF fez a primeira denúncia à Justiça Federal em Brasília dentro da Operação Zelotes. Luís Cláudio ficou fora da primeira leva de acusações e passou a ser investigado num segundo inquérito. Dezesseis pessoas foram denunciadas por envolvimento em negociação para aprovação de medidas provisórias. Entre eles, o lobista Alexandre Paes dos Santos, a ex-secretária da Câmara de Comércio Exterior Lytha Spíndola e o jornalista Fernando Cesar Mesquita.

 

Dos denunciados, sete estão presos. Foram identificados crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e extorsão. A lista de pedidos do Ministério Público à Justiça inclui o ressarcimento de R$ 879,5 milhões de reparação aos cofres públicos. É a estimativa da Receita Federal com a perda da corrupção.

 

A LFT Marketing Esportivo, empresa de Luís Cláudio, recebeu pagamentos de R$ 2,5 milhões a título de consultoria da Marcondes e Mautoni, cujos donos estão presos preventivamente sob a suspeita de operar a suposta compra de medidas provisórias. Eles teriam mantido contatos com o então secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho.

 

Em nota, o Instituto Lula informou que o ex-presidente prestou depoimento para falar da edição das MPs. Segundo o instituto, Lula não é investigado no inquérito e “prestou informações colaborando, como sempre faz, para esclarecer a verdade”. No depoimento, o ex-presidente negou que a edição das MPs tenha relação com o contrato entre investigados e a empresa de seu filho.

 

 


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