Lula escala Dilma para abrir o diálogo com a oposição

19/11/2015 09:23

Lula escala Dilma para abrir o diálogo com a oposição

Por Ricardo Noblat

Há que se separar o joio do trigo e não necessariamente conferir tanta importância ao joio, como de hábito.

Pela primeira vez de público, Lula admitiu, ontem, em entrevista a Roberto D’Ávila, da Globo News, que pode ser desejável um diálogo entre governo e oposição para tratar dos problemas do país.

Menos por se negar a participar, e mais para não ferir a sensibilidade de Dilma, Lula disse que o diálogo depende da presidente da República. E que a iniciativa deve ser dela.

Lula lembrou das vezes em que esteve ao lado de Fernando Henrique e de Mário Covas – o primeiro então candidato ao Senado, o segundo a governador de São Paulo em 1994 e 1998.

Condicionou o diálogo ao estabelecimento de uma agenda de assuntos e a propostas “concretas”. E lembrou que os protagonistas do diálogo devem ter procuração dos seus partidos para negociar.

Aqui mora um dos problemas para que o diálogo produza bons resultados. Lula manda no PT. E se ele e Dilma se entenderem, ela poderá falar pelo partido.

Fernando Henrique não manda no PSDB. Há ali pelo menos quatro caciques: o ex-presidente, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Nem sempre eles estão de acordo.

Fez parte de outro momento relevante da entrevista o comentário de Lula a respeito da situação que atravessa seu filho caçula Luis Cláudio Lula da Silva, alvo de investigação da Polícia Federal.

- Meu filho sabe o seguinte: ele tem que provar que fez a coisa certa. Tem que provar. Se ele não provar, está subordinado à mesma Constituição que eu estou, às mesmas leis. É chato? É. Mas é bom.

A empresa de Luis Claudio recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, que teria feito lobby para aprovação de uma medida provisória que beneficiou a indústria automobilística em 2009.

A leitura enviesada do comentário de Lula poderia sugerir que ele largou o filho de mão para não ser atingido pela suspeita de que assinou a medida provisória no âmbito de uma negociata.

O joio da entrevista reuniu algumas afirmações bizarras de Lula. Do tipo: não quer tirar Levy do Ministério da Fazenda; é favorável ao ajuste fiscal; e desconhecia a roubalheira na Petrobras.

Bizarras porque na contramão do que ele quis ou ainda quer.


Fonte: Blog do Noblat - O Globo
 


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