Mais isolada, presidente admite erros na economia e anuncia corte de ministérios

25/08/2015 11:01

Após Temer deixar articulação, Dilma diz que subestimou crise

• Mais isolada, presidente admite erros na economia e anuncia corte de ministérios

 

Temer se afasta de Dilma, que fala em mudar governo

 

• Vice reclama de 'intrigas e fofocas' e entrega função de articulador político

 

• Presidente anuncia redução de ministérios e convoca entrevista para justificar nova medida contra a crise

 

Andréia Sadi, Marina Dias, Natuza Nery e Valdo Cruz – Folha de S. Paulo

 

BRASÍLIA - O vice-presidente Michel Temer comunicou à presidente Dilma Rousseff que deixará a função de principal articulador político do Palácio do Planalto, obrigando-a a buscar novas medidas para contornar a profunda crise em que seu governo mergulhou.

 

Temer reuniu-se com Dilma na manhã desta segunda (24). Contrariado com o que descreveu como um "ambiente de intrigas e fofocas", avisou que não cuidará mais da distribuição de cargos e verbas para os partidos que dão sustentação ao governo no Congresso.

 

Na prática, Temer devolveu a função que Dilma havia delegado a ele em abril, numa de suas primeiras tentativas de pacificar a relação com o Congresso, onde sofreu derrotas sucessivas desde o início de seu segundo mandato.

 

O afastamento do vice tende a aumentar o distanciamento entre Dilma e o PMDB, partido que é presidido por Temer, comanda a Câmara dos Deputados e o Senado e é o principal aliado do PT.

 

Logo depois da reunião com o vice, Dilma autorizou seu ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, a anunciar uma reforma administrativa com o objetivo de eliminar dez dos seus 39 ministérios e mil cargos até setembro.

 

O anúncio foi feito de maneira repentina e sem que fossem oferecidos detalhes sobre os cortes, que deverão aumentar ainda mais a tensão entre o governo e os seus aliados.

 

Horas depois, Dilma convocou a Folha e outros dois jornais para uma entrevista, em que admitiu ter errado ao subestimar a gravidade da crise econômica no ano passado e defendeu a redução do número de ministérios, ideia que combateu durante a campanha eleitoral.

 

Temer vinha demonstrando insatisfação há meses. A gota d'água foi uma disputa pela liberação de R$ 500 milhões em verbas destinados pelo Orçamento a projetos em redutos eleitorais de políticos aliados.

 

O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que é do PMDB e tem auxiliado Temer na articulação política, obteve o compromisso de que o dinheiro sairia, mas o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, barrou sua liberação.

 

Na reunião desta segunda, Temer anunciou que sairia da linha de frente da coordenação política e disse que continuaria à disposição para ajudar com a "macropolítica" e as votações no Congresso.

 

Em seguida, Dilma e o ministro da Casa Civil, o petista Aloizio Mercadante, seu principal auxiliar, discutiram com Temer e Padilha o novo desenho da articulação política.

 

O vice se queixou das "intrigas e fofocas" que surgiram nas últimas semanas, após a entrevista em que ele disse que "alguém" precisava reunificar o país. Os petistas interpretaram a fala de Temer como uma tentativa dele de se credenciar para assumir o poder em caso de impeachment ou renúncia de Dilma.

 

A presidente rechaçou as especulações, disse que o discurso de Temer fora combinado com ela e afirmou que o peemedebista era "imprescindível" para o governo e que "sair agora" seria "ruim" para o Planalto. Diante da insistência do seu vice, Dilma aceitou suas condições.

 

O vice vinha sendo pressionado pelo próprio PMDB a se afastar. Na sexta-feira (21), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sugeriu que Temer antecipasse o congresso do PMDB, marcado para novembro, para discutir o rompimento com o governo.

 

Após comunicar sua decisão a Dilma, Temer se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para alinhar um discurso mais cauteloso e evitar, nas palavras de um aliado do vice, "explosões precipitadas".

 

Renan pediu cautela, dizendo que qualquer "movimento brusco" do vice agora aumentaria a instabilidade e daria munição para as alas do PMDB que querem romper com o governo logo.

 


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