Mensagens indicam ajuda do petista a aliado político

09/01/2016 10:23

Diálogo interceptado entre suposto número do fundador da OAS e outro desconhecido sugere negociação de doações

Daniel Carvalho, Beatriz Bulla - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Uma troca de mensagem telefônica entre um número supostamente pertencente ao fundador da OAS, César Mata Pires Filho, e um outro número desconhecido cita, um mês antes das eleições de 2014, o então governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e sugere que o hoje ministro da Casa Civil negociou doações para Marcelo Nilo (PDT), presidente da Assembleia Legislativa da Bahia.

Nas mensagens são utilizadas siglas. Segundo os investigadores da Operação Lava Jato, "JW" é Jaques Wagner e "MN" é Marcelo Nilo. "Como é oficial. Estive com Ele (JW) agora me disse q poderia tirar 200 e passar pra mim. Pode confirmar com se for necessário abs MN12333 (Marcelo Nilo). Check com Kaka se é isso mesmo?", diz a mensagem encaminhada pelo número atribuído ao fundador da empreiteira na noite de 8 de setembro de 2014.

 

MN são as iniciais de Marcelo Nilo e 1233 é o número do então candidato na urna. "Destaque para a mensagem em que o solicitante lembra que no caso 'é oficial'", salienta a Polícia Federal no documento encaminhado à Procuradoria-Geral.

 

Na prestação de contas de Nilo há várias doações indiretas da OAS. A empreiteira doou R$ 100 mil via "Comitê Financeiro Único" e R$ 5.254,94 em outras 15 doações via Rui Costa (PT), aliado de Wagner e eleito governador da Bahia naquele ano.

 

Em 7 de agosto de 2014, do telefone atribuído pela investigação a Marcelo Nilo segue a seguinte mensagem para o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, condenado a 16 anos de prisão por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás: "O Varjao ta muito tímido Veja o q pode fazer MN 1233 (Meu número da eleicao)".

 

Varjão é Elmar Varjão, executivo que assumiu a presidência da OAS após a prisão de Pinheiro. Varjão ficou preso por três dias em dezembro passado por causa da Operação Vidas Secas, que investiga a suspeita de superfaturamento e desvio de R$ 200 milhões em dois lotes das obras da Transposição do Rio São Francisco, entre Pernambuco e Alagoas.

 

Treze dias depois, um número não identificado pelos investigadores envia uma mensagem assinada pelas iniciais e pelo número da urna de Marcelo Nilo a outro número não identificado: "Eu sei amigo. Vc sempre foi muito legal e correto. So estou pedindo pela amizade q fizemos. Campanha perdeu o controle e o gosto pois ficou muito cara Te agradeço MN1233".


 


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