Não a um dinheiro que manipula em vez de servir

17/10/2015 21:39

Não a um dinheiro que manipula em vez de servir

Por Josenildo Melo

A compreensão do termo “religião” apresenta dificuldades devido à complexidade e multiplicidade de formas e conteúdos historicamente construídos nas diversas civilizações. Esse conceito de matriz latina, tem sido considerado apto para a tradição cultural e religiosa do Ocidente. Suas raízes etimológicas encontram-se em conceitos como religio, relegere, religare. Mas ele é estranho à linguagem de muitas culturas na história da humanidade. É um desafio encontrar elementos nas diferentes tradições espirituais dos diferentes povos que mostrem o significado equivalente ao que em algumas regiões se designa “religião”. Além disso, o termo “religião” está vinculado a outros conceitos, igualmente complexos, como crença, rito, sagrado, DEUS, sobrenatural, espírito, oração, mística...e o horizonte semântico desse conceito configura-se em torno do universo de significado atribuído a “religião”.

 

Gostem ou não, quem ainda ameniza um pouco as dores deste mundo são as religiões e seu contexto ético pois como diz o Jesuíta Papa Francisco por detrás das atitudes mundanas escondem-se a rejeição da ética e a recusa de Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com um certo desprezo sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque relativa o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado. Para estas, absolutizadas, Deus é incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animamos os peritos financeiros e os políticos dos vários países a considerarem as palavras dum sábio da antiguidade: “Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos”.

 

O conceito “religião” segundo Elias Wolff, professor da PUC/PR e da Faculdade Católica de Santa Catarina designa, em geral, um sistema de crenças, mitos, símbolos, ritos e doutrinas. Mas, antes disso, porém, religião é uma realidade antropológica que expressa as condições-limites existenciais do ser humano e busca de superação desses limites. A sistematização doutrinal e organização ritual vem num segundo momento. Toda experiência religiosa funda-se nas experiências concretas da existência humana. A experiência da pertença à coletividade humana e experiência da própria individualidade, a subjetividade e a intersubjetividade relacional; as experiências das necessidades físicas, psíquicas e socioculturais; a experiência da fragmentação, da finitude, da carência de sentido; a experiência da harmonia e da paz interior, das relações gratificantes, do significado dos acontecimentos; a experiência do amor, da confiança, das vitórias conquistadas..., são experiências especificamente humanas que podem ganhar um sentido religioso em alguma etapa da vida de cada pessoa.

 

Assim, com a concepção do divino, a experiência religiosa coloca a pessoa diante de um ser ou objeto extraordinário, revestido de poder total. A vida humana passa a depender dessa força transcendente, descoberta em algo ou alguém, o que o torna sagrado. Esta experiência está na base de toda tradição religiosa, com as específicas variações de linguagem e de organização.
 

RELIGIÃO é, portanto, uma experiência humana. É uma concepção específica da vida humana e de toda realidade que a envolve, expressa numa linguagem peculiar que mostra as situações de imanência e desejo de transcendência do humano. Nesse processo cada pessoa busca responder às questões mais profundas da existência. Deus, a religião e a religiosidade diz NÃO A UM DINHEIRO QUE MANIPULA EM VEZ DE SERVIR.

 

Artigo publicado no Influente e Conceituado Portal AZ

 

 


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