Natal sem Dilma ou Carnaval do Impeachment

05/12/2015 19:16

Por Carlos Chagas - Diário do Poder

Três bobagens, três derrotas. Fala-se das tentativas do PT, do PC   do B e de deputados governistas de obter do Supremo Tribunal Federal a anulação do processo de impeachment da presidente Dilma, iniciado pelo presidente da Câmara. Qualquer observador de bom senso  desestimularia esse tipo de ação, não só pela falta de embasamento  jurídico quanto pelo estímulo da interferência entre  os poderes da União.  Queriam a mais alta corte nacional de justiça atropelando a Câmara dos Deputados numa  decisão exclusiva dos representantes da população.  O resultado só poderia ter sido a rejeição, exarada em termos duros e necessários, pelos ministros Celso Mello, Gilmar Mendes e, sem  a menor dúvida, por todos os demais integrantes do STF. Desmoralizaram-se os autores dos pedidos, mas, acima de tudo, ajudaram a desmoralizar o governo. Forneceram mais uma  prova da confusão verificada em torno da presidente Dilma, que se foi consultada previamente e autorizou, fica muito  mal.  Mas se não foi, pior ainda.

Apesar das sucessivas reuniões  ministeriais promovidas por Madame, continua o bate cabeça no Palácio do Planalto e adjacências. A novidade, ontem, foi a disposição do governo de apressar o julgamento. O argumento anunciado como exigência da presidente baseou-se no raciocínio de que se agora está feio,  com o passar dos meses ficará horrível, tendo em vista o agravamento da crise econômica. Quer dizer, em vez de demonstrar  disposição para debelar o desemprego, o aumento de impostos e as dificuldades crescentes na vida nacional,  os detentores do poder preferem antecipar o confronto.  Imaginam dispor de mais apoio, ou de menos abandono, antes que a situação se deteriore.  É reconhecer a incapacidade de recuperar a economia. Em especial quando concluem melhor submeter-se agora ao pedido de afastamento, quando  dizem dispor de 258 votos,  do que daqui a dois ou três meses, quando faltará a certeza de que contarão com 172, o número mínimo para salvar o pescoço da rainha. Mais uma prova de  fraqueza. Por isso sustentam os governistas  a suspensão do recesso parlamentar, com  o funcionamento normal do Congresso em janeiro. Dificilmente conseguirão, outra evidência de haverem perdido o controle do processo político.

Enquanto  isso, prossegue a baixa tertúlia entre Dilma e seus ministros, de um lado, e Eduardo Cunha, de outro, acusando-se de mentirosos e chantagistas. Um lamentável espetáculo que não deveria ser encenado. Afinal, os dois grupos  desdobraram-se em simulacros de entendimento e agressões ostensivas. Ninguém controla ninguém. O governo, com medo das  ruas, prevendo que crescerão as manifestações ditas contra o impeachment, mas na realidade  de  indignação frente ao caos econômico. As oposições, cada vez mais ávidas de aproximar-se do vice Michel Temer, para o que der e vier.

Por enquanto, faltam votos no plenário da Câmara para a condenação da presidente.  Em fevereiro, ignora-se, tendo em vista o perigo real e imediato da desagregação econômica prestes a transformar-se em crise social. Entre exortações para a  antecipação do embate parlamentar, a pergunta  que fica é sobre o que fará mais mal ao país: o Natal sem Dilma ou o Carnaval do impeachment.