O Bóson de Higgs: uma descoberta, muitas dúvidas?

02/08/2015 17:47

Por Josenildo Melo

Opinião: O Bóson de Higgs: uma descoberta, muitas dúvidas?

 

            ¹O desenvolvimento da ciência moderna e contemporânea urgiu a questão da autonomia. Com essa última questão entende-se que cada ciência possui leis, campos e métodos que a distinguem e devem ser respeitados e, sobretudo, a independência em relação a outras formas de saber, como a religião, a filosofia, a teologia e a política.

            Costuma-se dizer que o Bóson de Higgs explica a origem da massa. Temos nesta declaração os dois lados da moeda. O significado da massa foi explicado por Einsten em 1905, com a equação E=mc²: a massa é a energia intrínseca de um corpo em repouso. A equação, no entanto, não responde à questão de o que é esta energia e, de fato, várias formas de energia podem contribuir para a massa.

            O problema surge quando nos aprofundamos no mundo das partículas. Descobre-se que a existência da massa de algumas partículas entra em contradição com as simetrias que caracterizam as forças fundamentais. Aí surge o mecanismo de Higgs que resolve esta contradição, permitindo um meio-termo entre a massa e simetria. O mecanismo de Higgs cria a hipótese de que, mesmo que se remova todo tipo de matéria e radiação do espaço, não se obtém nada, mas o espaço vazio é preenchido por uma substância. Esta substância, chamada campo de Higgs, atua sobre as partículas que se propagam no espaço, fornecendo-lhes energia. Essa energia corresponde precisamente à massa. Os Bósons de Higgs são a demonstração do campo de Higgs, sob a forma de partículas.

            Mesmo que em ciência o fim de um capítulo represente o início de outro, a comprovação da existência do Bóson de Higgs é mais uma “evidência de que o ‘nada’ é surpreendentemente rico em fenômenos críticos à nossa compreensão do Universo”. A constatação é do físico Arthur Maciel, pesquisador em física de altas energias no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, e membro de uma equipe no Fermilab que se dedicou à busca ao Bóson de Higgs nos últimos anos. Sob o prisma da física quântica, essa partícula é entendida como uma “consequência daquilo que chamamos uma ‘condensação do vácuo’, que é uma das muitas “possibilidades de ocorrência em função destas propriedades físicas adquiridas pelo vácuo quântico”.

            Para Gian Giudice graduado em Física na Universidade de Pádua, Ph.D em Física teórica, na Escola Internacional de Estudos avançados, em Trieste; deve se enfatizar que o mecanismo de Higgs é apenas uma das contribuições à massa, apesar de não ser o mais importante. Mas é uma contribuição essencial para compreender as propriedades das partículas. Ele determina, por exemplo, a massa do elétron. Uma vez que a massa do elétron determina o raio dos átomos, podemos dizer que o mecanismo de Higgs determina o tamanho dos átomos, em vez de sua massa. Sem o mecanismo de Higgs não poderiam se formar átomos estáveis; não haveria a química e a matéria como nós a conhecemos.

            O BÓSON DE HIGGS: UMA DESCOBERTA, MUITAS DÚVIDAS? Não necessariamente. É de fato um grande passo para melhor compreendermos a existência humana e valorizarmos ainda mais a vida; maior dom de Deus! Conhecimento ciêntífico é pesquisa, a busca da VERDADE. A dúvida gera a curiosidade; a descoberta propriamente dita. Não pode acontecer é endeusamento da razão! A busca da verdade deve ser incentivada, valorizada. A VERDADE sem relativismo existe e a conhecendo nos libertamos de muitas amarras ideológicas massificantes!

 

BIBLIOGRAFIA: 

IHU - Revista do Instituto Humanitas Unisinos - Nº 405 – ANO XII – 22/10/2012 – UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos – São Leopoldo/RS. ¹ Prof. Dr. Urbano Zilles Diretor da Faculdade de Teologia – PUC/RS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.