O Dia da Marmota - Por Paulo de Tarso Lyra

24/10/2015 01:39

Por Paulo de Tarso Lyra

Lançado em 1993, o filme Groundhog Day, batizado no Brasil com o nome Feitiço do tempo, conta a história de Phil Connor (interpretado por Bill Murray), um egocêntrico homem do tempo da tevê em Pittsburgh, que durante a abertura do anual Dia da Marmota (2 de fevereiro), em Punxsutawney, encontra-se repetindo o mesmo dia várias vezes. Só depois dos prazeres e angústias que essa repetição provoca, ele resolveu reavaliar a própria vida e as prioridades.

O Brasil enfurnou-se no seu próprio Dia da Marmota. Daqui a cinco dias, completar-se-á um ano que a presidente Dilma Rousseff foi reeleita para o segundo mandato no Palácio do Planalto. De lá para cá, o processo de deterioração nos fundamentos do país aprofundou-se em nível espantoso, colocando em risco as conquistas sociais e os ganhos econômicos duramente alcançados nas últimas duas décadas.

 

O dólar, no processo eleitoral, estava cotado a R$ 2,47 e hoje está em R$ 4 - já ultrapassou essa meta, mas recuou após alguns swaps do Banco Central. A taxa de desemprego, que há um ano era o menor registrado em um mês de outubro - 4,7% - bateu ontem, segundo levantamento do IBGE, em 7,6%. A inflação, que encerrou 2014 abaixo do teto da meta (6,41%), vai tocar a casa dos 10% este ano, segundo previsões de analistas de mercado - a estimativa atual é de 9,32%.

 

Mas se as coisas pioraram tanto assim, onde está o paralelismo com o filme de Murray? No discurso da nossa classe política. Há exatamente um ano, governistas e oposicionistas desprezam o fato de que as eleições se encerraram às 17h de 28 de outubro e que era o momento de descer do palanque e voltar para a vida real.

 

Mas não. Como uma maldição, o Planalto e o PT se dizem vítimas de um golpe da elite e a oposição pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff, seja pelas pedaladas, seja pelo petrolão. Nada contra o embate político, natural na democracia. Mas dizer o que para o trabalhador que está desempregado? Para o estudante que viu o Fies minguar e não sabe como vai pagar a faculdade? Para quem esperava o Minha Casa Minha Vida para comprar um imóvel e agora não sabe se vai conseguir sair do aluguel? São 200 milhões de brasileiros enredados neste feitiço do tempo que não acaba nunca.

 

 

 


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