O Educador e o Construtor de Pontes

20/10/2015 21:20

O Educador e o Construtor de Pontes

Por Paulo Alcantara Gomes 

Medalhas Darcy Ribeiro  (Foto: Divulgação)

Na cerimônia de entrega das Medalhas Darcy Ribeiro, outorgadas pelo Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro a personalidades que se destacaram por idéias e iniciativas para uma educação de qualidade, impressionou bastante a comparação trazida pelo Padre Jesus Hortal, um bom amigo, ex-Reitor da PUC-Rio e agraciado com a Medalha. Com muita felicidade, ele procurou associar os educadores aos construtores de pontes, capazes de promover e concretizar articulações que levem à solução dos problemas vividos pela educação brasileira e conhecidos por todos.

 

De fato, a idéia do Hortal deve ser bem explorada porque na educação superior, por exemplo, iniciativas de articular instituições de ensino não são frequentes e o próprio Ministério da Educação, historicamente, não facilita a formação de consórcios ou redes universitárias. Em geral não são estimulados os consórcios de bibliotecas ou as redes para aplicação conjunta de novas metodologias de ensino. Algumas escolas de engenharia norte-americanas construíram, há vários anos, redes denominadas “coalitions” (“coalizões de escolas”), com o intuito de colocar o estudante em contato com a atividade profissional, desde os primeiros períodos. 

 

Os resultados: diminuíram os índices de evasão, as avaliações foram muito melhores e o comprometimento dos estudantes com os cursos foi muito maior. Entre as universidades europeias são realizados alguns programas em rede, importantes para a consolidação e expansão em diversas áreas de conhecimento. Um destes projetos, o “Erasmus”, apóia estudantes de graduação e de pós-graduação em projetos de iniciação científica e de pesquisa, bem como o intercâmbio de professores e pesquisadores.

 

Em outros países são estimulados os consórcios de graduação, em que as universidades dividem entre si a oferta de disciplinas num determinado curso, de forma a utilizar ao máximo a capacidade instalada em cada uma das instituições universitárias. Na União Européia, muitos cursos de graduação são em parte realizados na indústria, num novo processo de formar profissionais para mercados mais exigentes.

 

O estranho é que várias das nossas maiores universidades mantêm acordos de cooperação com universidades estrangeiras visando à concessão de um “bi-diploma”, e são incapazes de construir consórcios similares com as congêneres brasileiras. Ocorre que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação define o Sistema Federal de Educação Superior como o conjunto de instituições públicas (federais) e privadas que oferecem cursos superiores. Um sistema, palavra que vem do latim, é um conjunto ordenado de elementos que se encontram interligados e que interagem entre si.

 

Como tais instituições não interagem, conclui-se que, mesmo previsto na lei, não existe tal sistema de educação superior. A falta de interação ocorre até entre os próprios cursos de algumas universidades que, de fato, são mais parecidas com federações de escolas isoladas.

 

Entendo que é urgente incentivar novos modelos de cooperação entre as instituições de ensino, em todos os níveis.  Parece inacreditável que o Brasil continue a trabalhar com modelos do século XIX. Construir redes é um caminho para a efetiva modelagem de um projeto de nação, que começa pela educação de qualidade. 

 

 

*Ex-Reitor da UFRJ e ex-Presidente do SEBRAE-RJ, e atualmente Presidente da Rede de Tecnologia.

 

 

Fonte: Blog do Noblat - O Globo

 

 


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